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“As pessoas ainda não perceberam que os animais não são objectos”

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Os animais viram o seu estatuto jurídico ser alterado. Aprovada e publicada em Diário da República a 3 de Março do ano presente, a nova lei rejeita o conceito de “coisa” ou “objecto”, e define o animal como “ser vivo dotado de sensibilidade e objecto de protecção jurídica”. Cerca de meio ano depois da sua aprovação, o Jornal N conversou com Paulo Santos, Encarregado-Geral e Assistente Veterinário da Aanifeira, para construir um rescaldo dos primeiros seis meses experienciados ao abrigo do novo decreto e da realidade “difícil” e “insustentável” que as associações de animais continuam a viver.

A história começa nas antigas instalações da Feira do Gado. Depois da epidemia das “vacas loucas”, o espaço foi desactivado e cedido pela Câmara Municipal à “Dona Constança”, que acabaria por fundar a Aanifeira, em 1998. A recolha de animais começava, mas a situação demorou pouco tempo a fugir do controlo. A sobrelotação e a acumulação de animais no espaço tornou-se “insustentável”, e a certo ponto os animais recolhidos chegaram aos 750.

É neste momento que a situação conhece o seu pico de crise mais alto, e é tomada a decisão de refazer, construir e criar infraestruturas melhores, mais adequadas às necessidades dos canídeos.

Hoje em dia, com cerca de 300 cães e 60 gatos ao seu cuidado, a Aanifeira pretende ser “um local de passagem”, embora se torne, muitas vezes, na única paragem e no único lar dos animais recolhidos. “Fomos reduzindo o número de animais ao longo do tempo, até conseguirmos chegar ao número ideal, para podermos dar uma vida digna aos animais que recolhemos nas nossas instalações. Claro que a Aanifeira não foi criada para ser um albergue para toda a vida. Foi criada para ser um local de passagem, mas infelizmente não há famílias para todos. Tenho aqui cães com 17 anos que viveram cá a vida toda. Isto é a casa deles, nunca conheceram outra…tentamos dar-lhes a melhor vida possível” – afirma Paulo Santos.

 

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