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Entrevista: Rei Alferes, o “Justiceiro”

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Nos primeiros doze dias de Agosto, Santa Maria da Feira é governada por um, e um só rosto. Manuel José Alferes Pereira foi o escolhido para interpretar a personagem de D. Pedro I, o “Justiceiro”, na edição de 2018 da Viagem Medieval em Terras de Santa Maria, e garante que já tem a matéria “bem estudada”. Numa dinâmica onde o Homem se funde com a personagem e o contexto históricos, o feirense reconhece algumas qualidades comuns entre si e a figura monárquica, destacando a “frontalidade” como arma característica de ambos. A oportunidade de vestir a história e trazê-la para o centro histórico fogaceiro é, assim, vista como um “privilégio”. Assim como Santa Maria da Feira abrirá alas à sua passagem, também o Jornal N confere espaços às palavras e dizeres de sua Majestade.
O que o levou a candidatar-se para representar D. Pedro na Viagem Medieval?
Ponderei muito, ao ponto de enviar a minha candidatura no último dia. A minha paixão pela história foi determinante, a minha identificação com a Viagem Medieval foi decisiva. Olhei para o concurso do casting e disse: “Isto é para mim”… Pediam um feirense entre os 40 e os 50 anos (tenho 47 anos), alto ( 1,91m), forte e entroncado (talvez gordinho fosse o termo certo…), cabelo ondulado e farto (ainda o tenho), barba grande (um cartão de visita meu), com à vontade em público e com as câmaras (a política afinal serviria para alguma coisa…), experiência como actor (é alguma, no cinema e no teatro), ficando apenas pendurada a questão de montar a cavalo, em que tinha tido algumas experiências mas obviamente insuficientes para a tarefa. O meu amor pelos animais, cavalos incluídos, atenuou esse percalço, e fiz-me aluno na matéria! E claro, esta personagem histórica é absolutamente fascinante, talvez por ser enigmática e controversa… como eu gosto!
Já “estudou a lição”? O que sabe sobre a personagem histórica?
O meu estudo já era considerável, digamos que apurei o conhecimento! Devorei decididamente tudo o que existe sobre a figura do Rei, personagens e acontecimentos que se cruzaram com sua majestade. A informação dessa época não é extensa, pelo que depressa se absorve esse conhecimento. Com o cognome principal de “O Justiceiro”, mas também apelidado de “O Cruel” ou ainda de “O Apaixonado Até Ao Fim do Mundo”, nasceu em 1320 em Coimbra e foi o oitavo Rei de Portugal e do Algarve, e sendo um monarca de paz, empreendeu algumas reformas no Estado, apesar do reinado relativamente curto, de cerca de 10 anos, entre 1357 e 1367. Membro da Dinastia de Borgonha, também chamada de Afonsina (pelos muitos Afonsos), era filho de D. Afonso IV e neto de D. Dinis. Teve vários filhos sendo que dois deles foram reis – D. Fernando I, filho do seu casamento oficial com Constança Manuel, e D. João I, filho natural de uma relação com Teresa Lourenço. Consta-se que seria gago, sendo conhecidos os seus ataques de fúria e mudanças repentinas de humor. Homem com conhecidos casos amorosos, diz-se que também teria um amante masculino… Coisas de Rei! Era apaixonado por festas… Muitas e boas festas, com muita comida, música e folias que se prolongavam pela noite dentro. A qualquer hora e onde quer que chegasse, e se lhe “desse na real gana” chamava toda a gente daquele lugar e faziam logo festas sempre prolongadas e com o que de melhor havia. Morre em Estremoz, em 1367, com 46 anos, pensa-se de epilepsia.

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