Concelho

A Mestria das Mãos no Artesanato

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Sapateiro de profissão, mas artesão de coração. É assim que se define Constantino Lopes, artesão feirense que faz da madeira a sua tela, para através dela esculpir as mais diversas peças: desde motos, a carros, moinhos, brinquedos e até aviões. Algumas podem demorar até setenta horas a conceber. É nas suas mãos que a matéria prima ganha vida, mãos essas que, desde cedo, foram sendo “moldadas” pela arte da sapataria e que, por isso, não são estranhas à concepção de figuras de todos os tamanhos e feitios. “Na altura em que exerci a profissão ainda existiam poucas máquinas, o trabalho era todo muito manual, principalmente quando comecei. As mãos já começaram a trabalhar e a ser trabalhadas desde muito cedo” – afirma o artesão.
Há já duas décadas que Constantino Lopes se dedica ao artesanato, ou à actividade que define como sendo um “hobby”, um “escape”. Um caminho que começa a ser traçado e definido desde muito cedo. Oriundo de uma família “pobre”, a criança da altura viu-se obrigada a pegar naquilo que lhe ia aparecendo e a transformar os materiais em brinquedos. Um pedaço de madeira passava a ser um carrinho de rolamentos, e um carrinho de rolamentos passava a ser uma forma de passar o tempo, o brinquedo que, de outra forma, nunca chegaria. Grande parte do dinheiro era “para comer e vestir”. As dificuldades fazem a ocasião e, por isso, aos poucos, o talento de palmo e meio foi sendo alimentado, desenvolvido e aperfeiçoado, até chegar às capacidades que actualmente possui. Nos dias de hoje, é numa pequena oficina, na parte traseira da sua casa, que toda a magia acontece. São vários os utensílios que cobrem as paredes do seu pequeno “santuário”, dispostos com uma orientação vertical, de forma a estarem “sempre à mão”, quando a natureza das peças assim o exige. É o reflexo directo das horas passadas em torno de uma paixão, onde existe uma placa, também ela em madeira, onde se pode ler “Artesão Tino”, como um cartão de boas-vindas à porta do maior palácio, e onde existe, também, uma janela voltada para o sol, por onde a vida passa e por onde se a vê passar. “Estou na minha oficina desde a manhã até à noite. Se houver um dia em que não possa ir trabalhar um pouco nas minhas obras, não ando bem. Há alguma coisa que, para mim, não está bem. Sinto-me sempre muito nervoso. Não sou pessoa de passar o tempo no café e, por isso, todo o tempo que tenho dedico-o ao artesanato” – confessa.

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