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Milheirós: “Milheinós” ou “Milheivós”?

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A história avança, mas os protagonistas mantêm-se. Santa Maria da Feira, Milheirós de Poiares e São João da Madeira são os três protagonistas de um enredo que conheceu novos contornos com a vinda a público de um projecto-lei apresentado ao Parlamento por deputados do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda, no passado dia 28 de Setembro, e que visa a integração da freguesia milheiroense na cidade capital do Calçado. O documento prevê que esta alteração ocorra já a partir do próximo dia 1 de Janeiro de 2019, e entre as premissas que o sustentam estão a proximidade geográfica entre as fronteiras dos territórios, assim como a “ambição” da população de Milheirós de Poiares, aludindo ao referendo de 2012, onde o “Sim” venceu com 81% das intenções, quando a questão colocada era: “Concorda com a integração de Milheirós de Poiares em São João da Madeira?”. Seis anos passados, e na semana em que se contava um ano da vitória alcançada por Emídio Sousa nas Autárquicas de 2017, o assunto renasceu.

“Não admito que brinquem com Santa Maria da Feira. Serei um adversário feroz”
Emídio Sousa, Presidente da Câmara Municipal

O ditado diz que “quem vai à guerra dá e leva”, e Emídio Sousa está pronto para aquela que admite ser “uma batalha em várias frentes”. O Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira acredita que a coesão territorial permanecerá intacta, até porque no próprio seio do executivo milheiroense a mudança tem aparecido de forma gradual. “O resultado das últimas eleições fala por si. Obtive uma vitória com um grande diferencial, diferença essa que também se registou no campo da Assembleia Municipal. Mesmo para a Junta de Freguesia ficamos a uns escassos 90 votos da vitória. O equilíbrio de forças hoje na Junta e Assembleia de Freguesia de Milheirós de Poiares é de cinco para quatro. Não é a diferença que existia anteriormente… Houve claramente uma evolução nas intenções de Milheirós ao longo do tempo. Com estes resultados esperava que da parte do legislador, dos deputados, e da Assembleia da República houvesse alguma ponderação e bom senso” – avalia o edil. No entanto, e apesar dos resultados obtidos, Emídio Sousa afirma “ter conhecimento” de que existiria “alguém” a “mexer uns cordelinhos” em Lisboa para que o processo fosse levado avante. Esse “alguém” é Pedro Nuno Santos, deputado, Secretário de Estado e natural da Cidade dos Chapéus. Mas Emídio Sousa não “enfia o barrete”. Já em Maio deste ano, o Presidente da Câmara apontava o dedo a Pedro Nuno Santos, acusando-o de “instigar o ódio” entre Santa Maria da Feira e São João da Madeira”, deixando a recomendação para que a preocupação do político sanjoanense passasse a ser a Linha do Vouga e os investimentos necessários à sua requalificação. As intenções foram noutro sentido, e a discussão da possível anexação urge.

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