Economia

CENFIM soma 34 anos na formação da Metalurgia e Metalomecânica

 | 
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Pin on Pinterest

 

Núcleo de Oliveira de Azeméis tem recebido cada vez mais alunos de Santa Maria da Feira

 

O CENFIM – Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica, é um centro protocolar de âmbito nacional, que promove a formação, orientação e valorização profissional dos Recursos Humanos do Sector. Com mais de uma dúzia de núcleos espalhados pelo território nacional, destinados à formação de mão de obra qualificada e também ao apoio a empresas na vertente da consultoria. Cada Núcleo está vocacionado para dar especial atenção à Indústria típica da região onde está inserido, e Oliveira de Azeméis não é exceção: aqui atenta-se na área dos moldes, e há formação para todas as idades, e para diferentes níveis. O Jornal N esteve à conversa com Teresa Bernardino, Diretora do Núcleo de Oliveira de Azeméis do CENFIM, a fim de conhecer as principais dinâmicas e linhas orientadoras do Centro de Formação.

Quantos formandos estão ao encargo do CENFIM, neste momento?

Temos neste momento 126 jovens nos cursos de aprendizagem e 117 adultos em formação pós-laboral. Para nós são números excelentes, porque significam que temos praticamente casa cheia. Aqui no nosso centro existe também muita formação que fazemos dentro das próprias empresas, de curta duração, a formação de catálogo, formação à medida, e situações muito específicas que nos colocam. É certo que alguns destes assuntos são solucionados via consultoria, mas outros são solucionados via formação. Pela carência que neste momento existe de pessoas qualificadas nesta área, o que normalmente acontece e o que sugerimos às empresas é que atentem nelas próprias e na formação das pessoas.

De que forma prestam formação ao mais jovens?

Na formação dos mais jovens, estamos a fazer a equivalência ao 12º ano, mais uma qualificação profissional: os candidatos mais jovens entram com o nono ano concluído, e fazem aqui o nível 4. Cá no CENFIM promovemos classificações nas áreas de técnico de desenho de moldes, técnico de programação e maquinação e técnico de manutenção industrial. São as  três grandes áreas às quais damos respostas e que têm tido bastante aceitação, até porque os nossos índices de empregabilidade rondam os 99%.  Só não fica na área quem não quer.

E para os mais adultos? Que oportunidades existem?

Para os mais adultos, aqui, no CENFIM de Oliveira de Azeméis, estes cursos têm decorrido sempre em horário pós laboral. No entanto, vamos inovar este ano, com os cursos EFA e CET. Dentro dos cursos EFA formamos operadores de máquinas de ferramenta, soldadores, técnicos de maquinação e programação CNC. Excecionalmente, este ano, vamos abrir um EFA em horário laboral, e vamos fazê-lo numa área à qual ainda não tínhamos dado resposta, que é o técnico de higiene e segurança no trabalho. É uma área à qual temos tido muito mais candidatos do sexo masculino do que feminino, mas estamos convencidos de que vamos abranger uma faixa de desempregadas e desempregados, que nos vai permitir abrir uma nova área e dar uma nova oportunidade para quem deseje mudar de sector de atividade.

Em que moldes funcionam os CET?

Os CET já são pós-secundário, e é uma formação de longa duração que ocorre em pós-laboral, na área de técnico de mecatrónica e gestão da produção. Estas duas áreas têm sido muito procuradas no mercado, para pequenas e grandes empresas. Acabam por ser adjuntos diretos de direção de manutenção ou produção. Os CET conferem  equivalência a unidades de crédito se os candidatos quiserem ingressar pelo ensino superior. Temos protocolos já definidos com algumas universidades e politécnicos para o efeito.

E a aproximação ao mercado de trabalho? De que forma é feita?

Tanto a aprendizagem, como os EFA ou os CET englobam formação no contexto de trabalho. Os formandos têm formação teórica no nosso centro, e depois têm um período em que vão para o posto de trabalho. Isto é uma oportunidade para as empresas moldarem os trabalhadores às suas necessidades, mas também para os próprios formandos, até porque a maior parte destes acaba por ficar na empresa para onde vai estagiar, e isso é quase uma certeza adquirida.

Como tem evoluído a procura pela formação do CENFIM?

Em termos de turmas, acabamos por ter um número de formandos mais ou menos estável, se bem que o número de candidatos e a procura aqui, no núcleo de Oliveira de Azeméis, tem sido cada vez menor. As próprias escolas têm dinamizado um número elevado de cursos profissionais, e é algo que, em termos de captação de jovens, torna o nosso trabalho mais difícil. Em termos de adultos, a procura tem sido crescente. Temos muitos adultos com vontade de mudarem de área profissional, e muitos adultos com licenciaturas ou com bacharelatos a virem mudar de área.

De que zonas são provenientes os formandos?

Acabamos por abranger cá alunos de vários locais, como Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis, começa também a vir muita gente de Santa Maria da Feira (até porque a indústria feirense tem crescido bastante), também de Estarreja…  Aqui surge-nos outro problema ou constrangimento, que são as vias de comunicação e os transportes. Em termos de transportes públicos, estamos muito mal servidos nesta área circundante, e isso sente-se não só nos jovens, mas também nos adultos. Começam-nos, também, a chegar vários candidatos das zonas de Aveiro, Albergaria e Águeda.

Quais são as metas que o CENFIM pretende atingir a curto/médio prazo?

Aquilo que pretendemos é manter ao máximo os níveis de aprendizagem. Temos consciência de que, no distrito de Aveiro, a necessidade de mão de obra qualificada é imensa. Somos dos distritos com índice de desemprego dos mais baixos, e neste momento sente-se isso. O nosso objectivo é manter estes índices de jovem e aumentar, se assim for possível. É uma área muito necessária na região em que estamos inseridos, e tentaremos também formar o máximo de adultos para a metalurgia e metalomecânica, porque o sector necessita desta formação.

E o trabalho de proximidade com as empresas? Pretendem continuar a desenvolvê-lo?

Sim, e aliás esse tem sido também um desafio para nós: a formação à medida. Isto engloba visitar as empresas, fazer os levantamentos das necessidades de formação direcionados para as necessidades específicas, e conseguir dar resposta. Ao mesmo tempo, tentaremos ao máximo equipar o nosso Centro. Muitas vezes não depende só de nós: dependemos, também, do Orçamento de Estado e há 2 anos sofremos as cativações que atingiram a realidade nacional. Queremos estar cá também para servir as empresas, adaptando-nos à realidade e tornando o nosso núcleo cada vez mais atraente e bem equipado do ponto de vista tecnológico.

 

Estudantes dão nota positiva à formação

A formação conferida pelo CENFIM conta já com várias distinções arrecadadas, entre as quais o Prémio de Melhor Solução de Hardware, obtido no Mundial de Robótica, a Robocup 2018, celebrada no Canadá. Ainda dentro da mesma iniciativa, o Centro de Formação arrecadou ainda o 2º lugar na competição de SuperTeam – Rescue Maze, e o 6º lugar na competição de Rescue Maze. Bruno Brandão, estudante de Mosteirô que termina agora a formação, aos 18 anos, relata na primeira pessoa aquilo que mais o atraiu no curso, sublinhando o papel do corpo docente. “Interessei-me por este curso por causa da vertente eléctrica, embora tenha começado pela parte mais mecânica. O primeiro ano e o segundo correram muito bem, gosto muito das aulas, os professores explicam-nos a teoria, são interessados e procuram esclarecer-nos as dúvidas” – conta o estudante. Bruno Brandão fez saber ainda que se candidatou a um projecto conjunto entre o CENFIM e o ERASMUS+, onde passará dois meses de estágio em Espanha ou Itália, integrado numa empresa, como se de um trabalhador efectivo se tratasse. “Isto permite-nos ganhar autonomia, pois vamos estar a trabalhar numa empresa, onde seremos integrados como se fossemos trabalhadores normais. Candidatei-me por ser uma oportunidade única, de muito interesse, e porque nos permite também aprofundar e expandir o conhecimento” – conclui. Já Sérgio Correia, também proveniente de Santa Maria da Feira e estudante do primeiro ano, assume que a formação tem ido “ao encontro” das suas expectativas. “Até agora, a experiência no CENFIM tem ido ao encontro das minhas expectativas. Tenho colegas e familiares que trabalham nesta área, e de certa forma foram eles que me passaram o ‘bichinho’ e o gosto por este trabalho” – conta o aluno. A falta de oferta em território feirense nas áreas da Metalurgia e Metalomecânica fez com que o estudante recorresse ao CENFIM de Oliveira de Azeméis, até pela proximidade que se constata entre a sua habitação e o Centro. “Sendo da Feira, decidi vir para cá por não existir nada parecido com o CENFIM lá, e Oliveira de Azeméis foi a opção mais perto que me apareceu. Quando terminar os estudos, gostava de ir logo para o mercado de trabalho, e ficar até aqui pela zona, colocado numa empresa” – termina Sérgio Correia.