Entrevista

Emídio Sousa: ‘Vou aumentar a transferência de verbas para as freguesias’

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No rescaldo das eleições autárquicas, Emídio Sousa traça um novo rumo para os próximos quatro anos, realçando que pretende reforçar a transferência de verbas para as freguesias, de forma a dotar a gestão autárquica de maior autonomia. No plano de investimentos, da Suécia pode surgir uma nova parceira na área das tecnologias. Contudo, o presidente da Câmara pretende ter uma aposta forte na requalificação dos centros urbanos, em termos de acessibilidades e mobilidade.

 

Depois da campanha, da vitória nas eleições e do anúncio de várias propostas para o próximo mandato, o que pode esperar a população do concelho de Santa Maria da Feira nos quatro anos que se seguem?
Eu não vou alterar o rumo que tracei para o emprego e o desenvolvimento económico. Esse vai ser o grande foco da minha actuação. Repito, mais uma vez, que a melhor medida social é o emprego. Face aos investimentos que temos garantidos para o território, a menos que surja alguma convulsão internacional que atrase este processo, no prazo de um a dois anos teremos uma situação de pleno emprego. Ao atingirmos o pleno emprego – não é desemprego zero, porque o que acontece é a taxa baixar para um mínimo, por exemplo, de quatro por cento -, o que vai acontecer é que as empresas quando quiserem recrutar pessoas, vão ter de o fazer por força de uma oferta salarial superior. Ao não haver trabalhadores suficientes no mercado, vão ter que pagar mais às pessoas. O trabalhador vai ter a possibilidade de exigir mais salário à empresa. O que ambiciono para o próximo mandato é uma situação de empregabilidade que não seja baseada em baixos salários, mas baseada na procura e nas competências das pessoas.
Neste momento estamos a trabalhar com uma empresa sueca para uma parceria na área das tecnologias. Durante a próxima semana estará em Santa Maria da Feira um quadro técnico para visitar o Europarque. Queremos melhorar as relações empresariais com a Suécia.
Gostaria de realçar ainda que neste mandato vou aumentar a transferência de verbas para as freguesias, porque pretendo que os presidentes de junta de freguesia tenham maior autonomia na gestão das verbas, para não estarem sempre dependentes da Câmara Municipal relativamente a pequenas obras .

 

Pretende, portanto, tentar atrair mais investimento…
Quero continuar a atrair empresas com capital internacional que hoje procuram muito as competências técnicas na área da programação, do software, na área da electrónica. Estamos com alguns investimentos nessa área em curso. Isto implica termos um território com pessoas com estas competências. Para darmos resposta a esta procura é necessário investir na educação e na formação profissional. Já estamos a apostar na programação no ensino primário. Quero que isto chegue a todos, quer seja rico, quer seja pobre. Quero levar isso à risca no meu papel de presidente de Câmara, dar oportunidade a todos, isso é que é justiça social. Devemos dar as mesmas oportunidades a toda a gente.

 

Como é que pretende melhorar as competências das pessoas?
Este investimento é a médio prazo para que dentro de 10 anos tenhamos a geração mais preparada de sempre. Por outro lado, já estamos em contacto com o Instituto Superior de Engenharia do Porto para fazermos formação. Até os jovens licenciados têm hoje algumas dificuldades em conseguir entrar no mercado de trabalho porque a sua formação muitas vezes não se adequa à procura do mercado. Vamos fazer acções de formação para essas pessoas, para que adquiram competências.
A AETICE já está no Europarque e será a nossa arma para responder à procura de mercado. Este plano é ambicioso e exigente. Pode até não correr bem, mas as linhas mestras são estas. Há mais oportunidades que podem surgir, mas que ainda não devem ser divulgadas.
Além de tudo isso, os problemas que existem noutros países, como o Brexit e muito recentemente como o caso da Catalunha, podem ser oportunidades para atrairmos algum tipo de investimento para o concelho. Temos dois parques empresariais muito bons, o Europarque e o PERM, temos uma localização privilegiada, estamos perto do aeroporto, estamos servidos por quatro auto-estradas. O Europarque tem uma localização estratégica.

 

Mas está para breve mais algum anúncio de novos investidores?
A Multicuirs já tem uma fábrica em construção. Há ainda a possibilidade de surgir um grupo alemão com três localizações propostas por mim. Estou a aguardar uma decisão. Há também uma multinacional espanhola que já comprou terreno e há muitas portuguesas em processo de ampliação que podem vir a procurar o Europarque. A própria antiga Lunik já foi vendida e já está em obras, tal como a antiga Rhode. Há aqui todo um conjunto de investimentos. Mas prefiro um investidor local, porque normalmente até é mais resiliente em relação às crises.
Estes últimos quatro anos foram o início do grande salto que temos de dar. Não foi por acaso que os eleitores reconheceram o meu trabalho. Foi a maior vitória de sempre do PSD em Santa Maria da Feira e não foi em coligação.

 

Os resultados alcançados justificam-se apenas pelo trabalho que diz ter feito?
Penso que está relacionado com o meu trabalho. Mais com isso do que uma ou outra debilidade da oposição. Eu sei que é fácil apontar debilidade ao outro lado, mas acho que o PS teve uma candidatura muito forte, que começou a trabalhar com muita antecedência. Fez um trabalho no território muito forte com os movimentos associativos e em encontros. A debilidade da candidatura do Partido Socialista foi enfrentar alguém que apresentou trabalho e que foi reconhecido pelas pessoas. O meu trabalho estava à vista em várias áreas como a empregabilidade, o desporto, a educação, na rede viária, entre outras. É verdade que não cumpri o meu programa a 100 por cento, por que há sempre uma ou outra coisa que não se consegue, mas o programa foi cumprido na sua globalidade e em áreas que eram ambiciosas.

 

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