Entrevista

“Quero dar corpo à alma que tenho, quero ser ‘André’ como um todo”

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André Mendes foi um dos 21 candidatos que integraram a edição de 2017 do projecto Jovem Autarca. Trouxe à discussão questões relacionadas com a defesa da comunidade LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros e Intersexo), numa aposta junto dos estabelecimentos de ensino, de forma a sensibilizar os mais jovens e criar um Mundo “livre de preconceito”.

Hoje, aos 16 anos, o jovem transexual conta a sua história na primeira pessoa, num testemunho de superação e auto-aceitação. Está actualmente no 10º ano da Escola Secundária Coelho e Castro, em Fiães, na área de Línguas e Humanidades, e afirma ter “confiança” na equipa eleita para levar alguns dos seus ideais avante, nomeadamente no que diz respeito à implementação de aulas que eduquem para a sexualidade e preparem para a aceitação da diferença.

Quando surge a ideia de te candidatares ao projecto
Jovem Autarca?
Já tinha pensado candidatar-me ao projecto Jovem Autarca no 9º ano, mas acabei por não o fazer. Talvez porque não me sentisse preparado. Olhando para trás, acredito que não era o momento certo para o fazer, embora não o soubesse na altura. Agora, com 16 anos, o projecto voltou a aparecer na minha vida, e pensei que seria boa ideia candidatar-me para poder lutar por mim, pelos meus direitos. A transexualidade é um assunto que as pessoas ainda não percebem muito bem, e existem ideias que devem ser discutidas, pelo bem de toda a comunidade LGBTI. Quero mostrar a outros jovens na mesma situação que eu que não devem ter medo de ser eles próprios.

Esse “medo” foi algo que também te
assombrou?
Sim, eu próprio senti medo da reacção das pessoas que mais amo, e da forma como o meio que me rodeia reagiria ao assunto. Acredito que devemos ser nós próprios, e quero passar essa ideia aos restantes jovens. Desde que me lembro, sempre me senti rapaz. Existiram alturas em que tentei contrariar aquilo que sou e que sinto, e tentei obrigar-me a mim mesmo a comportar-me como uma rapariga. Usava vestidos, pintava as unhas, tentava interessar-me pelas mesmas coisas que via as outras meninas a interessarem-se, e cheguei a um ponto em que me senti completamente desesperado, não sabia o que se passava comigo, achava que era uma aberração. Sabia que se passava algo comigo, mas não fazia ideia do que era.

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