Entrevista

“Santa Maria da Feira não é uma ilha isolada do país”

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“Santa Maria da Feira não é uma ilha isolada do país. Todos conhecem, sabem e, principalmente as mulheres, sentem no seu quotidiano as desigualdades de género”

Na semana em que celebrou o Dia Internacional da Mulher, o Gabinete Municipal para a Igualdade de Género avalia os direitos conquistados e o que ainda está por fazer

Foi no decorrer da passada semana, a 8 de Março, que se celebrou o Dia Internacional da Mulher. São conhecidas as diferenças ainda existentes entre homens e mulheres, nas várias esferas que compõe o quotidiano, sejam elas de índole profissional, social ou cultural. Na celebração da data, o Jornal N colocou algumas questões ao Gabinete Municipal para a Igualdade de Género, no sentido de desvendar o trabalho que tem sido desenvolvido, a nível concelhio, no combate às desigualdades, e que linhas compõe o caminho que falta ainda trilhar, com a meta da igualdade em vista.

Em Santa Maria da Feira, é possível verificar a desigualdade de género? Em que casos?

Santa Maria da Feira não é uma ilha isolada do país. Todos conhecem, sabem e, principalmente as mulheres, sentem no seu quotidiano as desigualdades de género. É sabido que este é um problema coletivo, que coresponsabiliza os cidadãos, as cidadãs, a rede social, as empresas, as associações culturais, escolas e toda a Sociedade Civil. A atual construção dos papéis de género permite uma perpetuação de situações de violência (física, emocional, sexual e até política e social) que tem de ser travada, para que todas as pessoas possam ser livres de todo e qualquer o tipo de violência e discriminação. No entanto, apesar de assistirmos a diversas assimetrias de género, é certo que houve uma evolução, consequência da luta pelos direitos da igualdade entre homens e mulheres. Mas a igualdade de género ainda está longe de ser uma verdade absoluta. Tanto em casa, como no trabalho, muitas mulheres vêm os seus direitos ficarem aquém daqueles que são dados aos homens.

O mercado de trabalho é frequentemente mencionado como um dos principais palcos da desigualdade…

Há, de facto, um longo caminho a percorrer. Vejamos: No que diz respeito a Santa Maria da Feira e de acordo com o INE (Censos 2011), verifica-se na área económica que existem mais homens empresários/as da indústria, comércio e serviços. O cargo de empresários/as da indústria, comércio e serviços em Santa Maria da Feira continua a ser ocupado na sua maioria por homens (2801 empresários do sexo masculino e 206 do sexo feminino). O mesmo acontece com a categoria profissional de pequenos patrões: este continua ainda a ser em maior número constituído por homens (em 2011, registaram-se cerca de 5101 patrões do sexo masculino e 226 do sexo feminino). A remuneração base média mensal dos trabalhadores por conta de outrem no global dos setores de atividade económica é desigual: em Santa Maria da Feira a remuneração feminina é de 750,00 euros e masculina 916, 00 euros, correspondendo a um diferencial de 166,00 euros (Pordata 2016).

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