Entrevista

“The Bigstone” trazem três décadas de rock português ao Cineteatro

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O tempo foi passando, e foram precisos 35 anos para a banda feirense “The Bigstone” voltar a pisar um palco. No próximo dia 30 de Maio, pelas 22h00, o quarteto chega ao Cineteatro António Lamoso com um projecto que começou nos seus tempos de adolescência, e que acabou por se dissipar pelas obrigações que a vida foi trazendo. À composição original, junta-se o baixista Paulo Azevedo, e tudo está preparado para uma boa dose de rock português, reminiscente das décadas de 80 e 90, com temas originais que serão adoçados e embelezados pela colaboração do coro Mediaevus e pelos Blue and White Strings Duet, a jovem dupla de violinistas dos irmãos Hugo e Inês Lima. Os arranjos estão afinados e o momento aproxima-se a passos largos. O nome “Bigstone” remete para uma “pedra” que sobreviveu às andanças, um símbolo de união e um sustentáculo da amizade que ganha agora vida no palco, e que se mostrou imune à erosão das circunstâncias. O Jornal N acompanhou um dos ensaios do grupo e esteve à conversa com Sérgio Cunha, guitarrista e vocalista da banda, para remexer num baú de memórias que se continuará a preencher.

Quando começa a jornada dos “Bigstone” no universo do rock português?

Eramos miúdos, adolescentes de 15 anos, e sobretudo amigos. Na altura juntamo-nos com instrumentos muito rudimentares, até porque não havia acesso a algo que fosse muito caro, e formamos uma banda composta por quatro elementos, sendo que o quarto já faleceu, o Luís. Entretanto ficamos os três a tocar, eramos a chamada banda de garagem. Não tínhamos aparelhagem, eramos convidados para fazer eventos como bailes de finalistas, e normalmente acompanhávamos uma banda cabeça de cartaz, sempre com a obrigação de que esse grupo nos deixaria tocar com a aparelhagem deles. Tudo isto são memórias de há 35 anos atrás.

E qual é o momento alto que guardam dessa altura?

O ponto alto foi num concerto em Coimbra, onde na altura foram descobertos alguns grupos musicais muito bons, como os Alarme ou os Mão-Morta, bandas que gravaram discos e ainda existem. Depois aos 19 anos as nossas vidas seguiram outros caminhos e deixamos de tocar de todo.

Mas isso não vos retirou a amizade…

Claro que não. Continuamos a ver-nos por aí, claro. Aliás o próprio nome, “Bigstone”, significa um pilar, um sustentáculo, a união e a amizade. Queremos apelar a esse tema, e não propriamente a uma grande pedra ou uma pedrada. A pedra no fundo representa aquilo que nos une, enquanto amigos, que é algo que ainda continuamos a ser depois de todos estes anos.

O que dificultou a continuação da banda no activo?

Na altura não existiam as oportunidades que hoje existem. Os equipamentos eram extremamente caros, e hoje qualquer miúdo pode comprar uma guitarra sem que isso signifique, necessariamente, um peso enorme no orçamento das famílias. Isto na altura era impossível. Tínhamos de quase trabalhar uma vida para conseguir uma guitarra em condições. Seguimos as nossas vidas profissionais, e vemos a música como um hobby, vivemos para ela como uma paixão.

Viver da música era um sonho?

Sim, o sonho sempre existiu, aliás, há músicas que apelam a isso e contam a história do grupo, quase em formato de memórias. Isto não deixa de ser um recordar de tudo aquilo que queríamos ser quando tínhamos 15 anos. Agora com 57 anos, tem um sabor diferente fazer tudo isto, embora seja mais difícil e exigente continuar a tocar. Mas é claro que tem outro sabor.

Para além das memórias, que outras estórias contam as letras da banda?

As músicas falam da vida comum, do homem comum, algumas delas vivenciadas por nós. Algo que facilmente se adapta a qualquer pessoa, com uma interpretação própria. São histórias das pessoas, vivências. Não podemos deixar de pensar em algumas delas como um retrato de situações vivenciadas por nós, como é óbvio.

As letras são em português, mas o nome da banda aparece em inglês…

Optamos por não mudar. Queremos cantar em português para mostrar que nós somos bons também, embora pequeninos. Queremos passar essa mensagem e se começarmos a pensar nas personalidades e comunidades que temos espalhadas pelo Mundo fora, em percentagem, seremos melhores do que muitas das apelidadas ‘potências’. É a via mais difícil, e reconhecemos isso, mas decidimos tomá-la de qualquer forma.

E quando é que decidiram que estava na altura de voltar aos palcos?

Na altura até foi o Eugénio Almeida (baterista), que me começou a chatear a mim e ao Lito (guitarrista) para virmos mandar umas ‘marretadas’ para aliviar o stress. Á sexta-feira, quando dava, juntávamo-nos. Começamos a pensar em fazer algo mais organizado, e este concerto acabou por surgir dentro de toda esta dinâmica.

A adição do Paulo Azevedo à formação original tem corrido de forma positiva?

O Paulo surge como um elemento competentíssimo, que nós conhecíamos, eramos amigos, e o convite foi algo natural, até por necessidade de um baixista que se conseguisse encontrar no espírito da banda. As linhas e frases de Baixo já estavam escritas e construídas, e precisávamos de alguém capaz de entrar e competente para nos garantir um bom espectáculo no dia 30.

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