Freguesias

Troço do Vouguinha pode “desmoronar”

 | 
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Pin on Pinterest

Moradores acusam executivo e REFER de falta de acção depois de “sucessivos avisos”

São um casal, emigrado na Suiça “há mais ou menos 30 anos”, e garantem que não voltarão a Portugal em definitivo “até a situação estar resolvida”. Quando regressam a Portugal, Fernando e Deolinda Cardoso passam os seus dias no número 461 da Travessa da Sobreira, em Paços de Brandão, mas… “Não nos sentimos seguros cá” – garantem. Alguns metros em frente à sua casa encontra-se um dos traçados da Linha do Vouga na freguesia de Paços de Brandão. Traçado esse assente “num alto, cuja terra tem vindo a desmoronar”. “Ainda a semana passada subi à linha, e a terra cedeu. Basta haver aqui uma pequena infiltração, que facilmente acontece aqui uma catástrofe. Tenho medo que o comboio tombe, por aqui abaixo, e me venha ter à porta de casa. Seria uma tragédia” – afirma Fernando Cardoso. Os queixosos afirmam já ter remetido “por duas vezes” cartas, com aviso de recepção, à Junta de Freguesia brandoense, à Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e à própria Rede Ferroviária Nacional (REFER), mas até ao momento a acção foi “inexistente”. “Ninguém pode dizer que não está ocorrente do que se passa aqui. Enviamos cartas, por duas vezes, com o respectivo aviso de recepção, à Junta, à Câmara e à REFER. Da primeira vez toda a gente respondeu, a prometer coisas que ninguém cumpriu, e da segunda vez a Junta de Freguesia nem se dignou a responder. Tenho esses documentos todos guardados, posso prová-lo” – diz Deolinda Cardoso.Esta é uma “batalha” que já se arrasta “há mais ou menos oito anos”. “Dizem-me que esta parcela do terreno é minha quando é preciso limpar, mas quando quero fazer restauros dizem que já não me pertence. Ninguém entende isto” – adianta Fernando Cardoso.

Águas de coloração preta com cheiro “nauseabundo”

A falha onde a linha assenta estende-se pelo terreno dos queixosos, formando um “caminho de águas poluídas, com cheiro nauseabundo”, provenientes de um tubo “partido” que se encontra na parte inferior da “arriba” que ali se forma. “Temos netos pequenos, e estamos sempre com medo quando eles estão a brincar cá fora. Temos medo que caiam no riacho e que lá fiquem. Não os deixo sair do terraço, para sua segurança. Aliás, até coloco lá uma rede que comprei, para que eles não saiam de lá” – conta Fernando Cardoso. De acordo com os queixosos, a ligação e a tubagem existentes no local terão sido acordados entre “o proprietário de uma urbanização” situada do lado oposto da ligação ferroviária e o pai do queixoso. “Na altura foi feito um acordo, para que esta ligação pudesse ser feita, entre o meu sogro e o proprietário de uma urbanização para que esta ligação fosse feita. Mas terá sido um acordo verbal, já que não existe nenhum documento assinado que o comprove. Ou se existe, nós nunca o vimos” – adianta Deolinda Cardoso, e acrescenta – “ As pessoas idosas são fáceis de enganar, e acredito que o meu sogro nunca imaginou as consequências que isto poderia ter. Estamos atados de pés e mãos”. No local, o cheiro proveniente das águas que vão chegando é “nauseabundo”, de coloração negra. “Não temos ‘água da companhia’, e temos medo que estas águas provenientes do tubo, pela sua cor preta e pelo seu cheiro, possam pôr em risco a água do nosso poço, que se situa a cerca de 200 metros do buraco” – contam.

Leia mais na edição impressa do Jornal N.