Cinema

Câmara, luzes, acção: O Festival de Cinema Luso-Brasileiro está à porta

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A 21º edição do Festival de Cinema Luso – Brasileiro chega a Santa Maria da Feira já no próximo domingo, 8 de Abril, estendendo-se até ao dia 15, e para além de propor um confronto saudável entre duas cinematografias ligadas pela mesma língua, traz ainda uma tela cheia de novidades, com a introdução de uma curadoria dedicada à programação das curtas e longas metragens, num alinhamento de 20 sessões que promete deixar os espectadores colados ao ecrã. A sessão de abertura está marcada para as 21h45, no Auditório da Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira, com o filme “Benzinho”, de Gustavo Pizzi, um dos sete filmes propostos para a competição de longas metragens.

São quatro os nomes que irão dominar a programação ao longo da semana do cinema em Santa Maria da Feira. Rogério Sganzerla toma o território feirense de assalto com o filme “O Bandido da Luz Vermelha”, na altura em que se assinalam os 50 anos de rodagem e se presta a devida Homenagem ao autor. Já o Realizador em Foco será Fellipe Barbosa, que marca o seu “hat-trick” em Santa Marida da Feira, com os filmes “Laura” (2011), “Casa Grande” (2014) e “Gabriel e a Montanha” (2017). Marco Martins é o Realizador em Debate e será passada, pela primeira vez, uma cópia em HD do filme “Alice”, patrocinada pelo Festival. O mais recente programa, “Sangue Novo”, uma rúbrica dedicada em cinema emergente que pretende funcionar como uma antecipação de cineastas do futuro, será debruçada sobre Salomé Lamas, Directora de Cinema que acumula já vários pergaminhos internacionais. Os sete filmes em competição de longas metragens são todos de raiz brasileira, sendo que, no que diz respeito à selecção oficial de curtas metragens, esta é composta por 24 filmes, numa divisão equilibrada de 13 obras brasileiras e 11 portuguesas, apresentadas ao longo de 6 programas. O festival apresenta-se num formato quase pós-laboral, com sessões confinadas a partir das 21h00, com a excepção do fim de semana de 14 e 15 de Abril, que conta com exibições a partir das 16h00.

O Festival de Cinema Luso – Brasileiro é, há 21 edições, um projecto dinamizado do Cineclube da Feira e a edição de 2018 será a primeira de quatro fases de um novo caminho que a iniciativa pretende tomar, mantendo parte da estrutura e introduzindo alguns novos aspectos, como uma curadoria, com o objectivo de atrair  novos olhares. “A grande diferença que introduzimos este ano é que passa a haver uma curadoria, uma programação especifica para as curtas e longas – metragens, algo que era tudo feito pela direcção do festival. Não há um festival autónomo, mas há um festival muito próprio. Introduzimos isto por uma razão muito especial: para dar diversidade de olhares sobre os filmes e, com isso, criar uma abrangência muito maior em termos de público” – explica Américo Santos, presidente do Cineclube da Feira. Ao longo de 20 anos, a organização aprofundou o conhecimento dos mercados de cinema português e brasileiro, e os próximos 4 anos serão, sobretudo, de “consolidação”, até porque, do ponto de vista internacional, o Festival já é presença habitual nas agendas e é por cá que vão passando alguns dos nomes mais relevantes da sétima arte. “Um dos aspectos mais relevantes desta caminhada foi a própria internacionalização do festival de Santa Maria da Feira, que é cotado no Brasil como um dos eventos mais importantes do Mundo, fora do território brasileiro. Isso fez com que realizadores importantes, que hoje passam nos grandes festivais mundiais, tivessem passado por aqui. Chegamos quase sempre primeiro aos realizadores que tiveram filmes em Cannes ou em Berlim” – acrescenta a organização.

Em 2018, o Festival de Cinema Luso – Brasileiro foi montado “em tempo record” e chega com a Primavera, ao contrário do que aconteceu em edições anteriores, em que Dezembro aparecia como o mês de eleição da iniciativa. De acordo com Américo Santos, a alteração da data acarreta “várias vantagens e uma desvantagem”. “Dentro das vantagens, passamos a ser um festival de primavera, um período muito mais atractivo para as próprias famílias saírem de casa, e isso é um grande ganho, assim como para o comércio local. Saímos de uma altura muito preenchida, como era Dezembro, e passamos para um momento não tão concorrencial. O único problema, para nós, reside nos timings de programação. Em Abril, o Festival de Cinema-Luso Brasileiro aparece antes de grandes festivais de cinema, como o IndieLisboa, e na disputa pelos filmes torna-se uma concorrência muito difícil” – considera.

O presidente do CineClube da Feira reconhece que a comunicação do Festival terá de ser “melhorada” no futuro, mas existem ainda mais novidades: a secção do Festival destinada ao Debate poderá vir a ser “gravada” para posteriormente ser reproduzida nas redes sociais, já que seria “uma pena” perder algo “tão rico” no tempo. “Temos a certeza que poderemos, até fazer deste Debate uma marca, se conseguirmos uma grande comunicação, que é algo que temos de melhorar, e estou ciente dessa lacuna. Fazemos um debate apenas para o Festival, e é algo que queremos alargar para outras esferas. Há a ideia de esses debates passarem a ser filmados para depois passarem a ser reproduzidos nas redes sociais e tentar ficar com o material para a posterioridade. Nos últimos tempos os debates têm sido tão ricos, que é uma pena que só aconteçam naquele exacto momento e que depois se percam” – afirma.

A compra ou reserva de bilhetes para o Festival Luso – Brasileiro poderá ser feita em dois regimes distintos: o bilhete normal (4 euros) ou o passe geral (20 euros) poderão ser reservados via e-mail (cineclubedafeira@gmail.com) ou através da página do Facebook do evento, existindo, também, a possibilidade de comprar a entrada na hora. E ainda tem um bónus. “A ideia é ter preços acessíveis, num festival cinema existe muito essa política, de diferenciar o custo de uma sessão de cinema comercial, feito num espaço público, e são questões que são levadas em conta. Fazemos, também, uma coisa muito simpática: quando se compra um bilhete, oferecemos para a sessão seguinte”- acrescenta Américo Santos.