Teatro

“Gentes manipuladas e forçadas matam-se mutuamente”

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A companhia portuense Seiva Trupe traz ao Cineteatro “O Senhor Ibrahim e as Flores do Alcorão”, da autoria do belga Eric-Emmanuel Schmitt. A peça sobe ao palco no dia 3 de Março, às 22h00 e foi o motivo para conversar com o encenador Júlio Cardoso, que nos falou da emocionante história de um jovem judeu e de um velho merceeiro árabe. Muito actual, o texto tem sido aclamado pelo país na sua mensagem de tolerância. Entrada: Entre os 4€ e os 6€.

O que o levou a escolher este texto de Eric Emmanuel Schmitt?

O autor, Eric-Emmanuel Schmitt, hoje já razoavelmente conhecido, muito conceituado no panorama mundial do teatro, jornalista e filósofo francês, tem vindo a ser referido, tanto através de prémios como de críticas, como um dos dramaturgos mais importantes da actualidade. A companhia Seiva Trupe representou pela primeira vez este autor no país, obtendo um grande êxito com a peça Variações Enigmáticas.

A actualidade da obra alicia o espectador?

A obra deste autor, O Senhor Ibrahim e as Flores do Alcorão, publicada como narrativa ficcional, quando a li, de imediato entrei em retiro para a adaptar ao teatro, pois além da beleza da escrita, é de uma actualidade presente e futura, levando vários espectadores a vê-la por diversas vezes.

É essa a razão para o sucesso da peça?

E não só. Pelo importante selo que a Seiva Trupe já ganhou ao longo da sua existência, dando garantia do seu rigor profissional, e pelo elevado talento dos seus intérpretes.

O texto contribuí para o diálogo intercultural, esta é uma das funções do teatro e da arte em geral. Pensa que as artes têm cumprido a sua função?

Hoje, grandes e pequenos países, organizações internacionais, gritam por Paz mas, infelizmente, a indústria da guerra está constantemente a inventar argumentos contrários e as gentes manipuladas e forçadas matam-se mutuamente. Através do riso, do pensamento e da arte, nos finais das representações, o público, de pé, presta o seu tributo profundo aos momentos de encantamento que O Senhor Ibrahim e as Flores do Alcorão lhes proporcionaram.

Qual o principal desafio que ultrapassou para levar à cena a peça?

Um dos protagonistas é um jovem adolescente que estuda teatro de manhã à noite, o que fez com que todos tivéssemos de fazer, e continuamos a fazer, das tripas coração, porque: a) não havia muito tempo para ensaiar; b) presentemente, não podemos atender as inúmeras solicitações para apresentar esta obra.

Que projecto cultural gostaria de levar a cabo no futuro?

O projecto cultural é imenso pois que, nomeadamente o artista moderno, é um multimilionário de sonhos, não esquecendo nunca os objectivos que desde a primeira hora presidem à existência da Companhia: – teatro de arte, sempre em investigação para a sua modernidade e comunicação, levando o espectador a sair muito melhor do que quando entrou.