“Os meus atletas foram autênticos guerreiros que nunca baixaram os braços”

Depois de duas épocas como jogador e já na quarta temporada como treinador, Carlos Camarinha é uma das figuras dos êxitos e do crescimento do Grupo Desportivo Ronda, primeiro no futebol popular espinhense e agora no futebol distrital aveirense.

A mentalidade vencedora e o compromisso de todos foram na opinião do técnico o segredo para o sucesso mas agora outro desafio ainda mais exigente se coloca.

 

 

A subida foi alcançada na decisão das grandes penalidades do jogo do Playoff. Soube melhor assim ou preferia que fosse com menos sofrimento?

O ideal seria ter evitado o playoff mas face a todas as contrariedades que tivemos de ultrapassar durante a época e sendo nós uma equipa estreante numa competição com equipas de grande valor de muitos anos de experiência nos Campeonatos Distritais, acho que só o facto de termos a oportunidade de disputar a subida é motivo do orgulho.

Depois chegar ao playoff o importante era ganhar, seja com mais ou menos sofrimento, mas se analisarmos o jogo, julgo que pelo que fizemos em campo, merecíamos ter resolvido vencido no tempo regulamentar. Quanto ao resto, o que sabe bem é ganhar e atingir o objetivo que nos propusemos desde o início da época.

 

O que na sua opinião, esteve na base do sucesso do GD Ronda nesta temporada de estreia no Campeonato Distrital?

O sucesso está sempre acompanhado do trabalho, da dedicação, do compromisso e da competência, nada acontece por acaso. Se a tudo isto ainda acrescentamos a amizade e o espírito de família que se vive dentro do clube, é possível atingir feitos extraordinários e heroicos tais como os que conseguimos alcançar. Dito isto, reforço a ideia que a base do sucesso está nas pessoas que abraçaram este projeto de forma corajosa, desde atletas, equipa técnica, direção e em especial do Presidente. No fundo, conseguimos juntar um grupo de homens com H grande e de enorme carácter que tornaram tudo isto possível.

 

Apesar de anteriores experiências na Taça de Aveiro, sair do Futebol Popular e entrar no Campeonato Distrital obrigou a várias mudanças. Que maiores dificuldades encontraram?

Neste Clube de à uns anos para cá que criamos um espírito ganhador e para isso fomos mudando a mentalidade e a forma de estar para ganhar mais vezes que os outros. Para competir no Distrital, sabemos que tínhamos de ser mais disciplinados, mais organizados com um grupo de atletas forte, comprometido e assim inconscientemente fomos nos preparando para dar este importante passo.

Pese embora, o GD Ronda estar agora no Distrital de Aveiro, não esquecemos a nossa história, de onde viemos e o caminho que tivemos de percorrer para chegar até aqui, pois temos orgulho em todas as nossas conquistas no Futebol Popular e o sucesso que agora temos se deve a esse crescimento de qualidade.

 

Analisando o Campeonato, e apesar do objetivo de subida ter sido conseguido, nem tudo foram rosas e durante o percurso apareceram alguns espinhos.

A ideia de entrar no Distrital era um sonho ou melhor um objetivo mas talvez mais a medio prazo. No entanto, em meados de 2020, a maldita pandemia obrigou à paragem das competições e as dúvidas que existiam quanto ao reatamento do Futebol Popular de Espinho, antecipou tudo. A meio do ano passado e face a tantas incertezas e como os atletas não queriam estar mais tempo sem competir e assim partimos na aventura para o futebol federado.

Relativamente ao campeonato, o calendário inicial não nos foi muito favorável porque logo nas primeiras jornadas tivemos que defrontar as equipas candidatas à subida, o que para quem chega de novo, numa fase de construção de plantel e à procura da melhor condição física não ajudou nada.

Felizmente com o decorrer do campeonato, fizemos alguns ajustes ao plantel, tornando-o mais competitivo em qualidade e quantidade mas quando atingimos alguma tranquilidade chegando aos lugares cimeiros da classificação, fomos assombrados com vários casos de Covid e também algumas lesões graves o que nos prejudicou muito o inicio da segunda volta nos jogos frente a adversários diretos e levou a uma sequência de resultados menos positivos.

No entanto, os meus atletas foram uns autênticos guerreiros que nunca baixaram os braços, lutaram sempre muito contra todas as adversidades e acabamos por fazer um final de época fantástico.

 

Voltando a esse período menos bom, a 8 de Março, dia de aniversário do Presidente, o grupo através de mensagem vídeo prometeu a subida de divisão como prenda.

Sim, é verdade. Nesse dia reiteramos esse objetivo. Temos uma base forte de jogadores com qualidade que se identificam muito com o clube há vários anos, e eu sabia que iam lutar e trabalhar até à exaustão para tornar o sonho de subida realidade. Com a sua crença, a sua mentalidade vencedora, e a mensagem que lhes fui passando, estava certo de que possível fazer, mais uma vez, história. A realidade veio de encontro à nossa ambição e, no final, conseguimos oferecer esta vitoria ao Presidente, e a todos aqueles que nos apoiaram incondicionalmente durante todo a época, nomeadamente as nossas famílias que nos suportam na retaguarda e nos permitem abraçar estas aventuras.

 

Foi também nessa altura que deixaram Cassufas e passaram a jogar em Guetim como fator casa. Isso foi também decisivo?         

Antes de mais, estamos muito gratos às pessoas que nos permitiram jogar em Cassufas onde nos receberam sempre com amabilidade e disponibilidade, mas poder jogar em casa, onde sempre treinamos, foi muito importante para o culminar do objetivo da época.

Apesar das condições do Complexo Desportivo de Guetim não serem as melhores no que diz respeito, por exemplo, a balneários, as dimensões do campo favorecem mais o nosso estilo de jogo. Esta mudança permitiu também a vinda de mais sócios e adeptos em nosso apoio. Fizemos da nossa casa a nossa fortaleza e basta lembrar que, desde que lá estamos a jogar, só perdemos pontos uma vez.

 

À margem do Campeonato, chegaram até à quarta eliminatória da Taça de Aveiro, uma competição que muito diz ao GD Ronda, pela presença histórica nas meias-finais em 2019.

A Taça será sempre encarada com muita responsabilidade pois o feito histórico de chegar às meias-finais na nossa primeira participação foi muito bom, e permitiu colocar o nome do nosso clube nas “bocas do povo”.

Em relação a esta época, cada jogo da Taça foi encarado sempre com o intuito de vencer. O objetivo passava por chegar o mais longe possível. Depois de eliminar o Valonguense, que se sagrou campeão distrital da 1ª Divisão em casa, acabamos por ser afastados pelo Paços de Brandão que, na altura, estava nos primeiros lugares do Campeonato Sabseg. Foi um jogo muito equilibrado em que os pequenos detalhes fizeram toda a diferença. Eles foram mais eficazes na finalização. Perdemos frente a um adversário mais forte, mas dignificamos o GD Ronda e saímos dessa competição de cabeça levantada e com sensação de dever cumprido.

 

Projetando a próxima temporada, que mudanças defende para o plantel poder atacar um campeonato mais exigente como será a 1ª Divisão Distrital?

Sabemos que será um campeonato ainda mais difícil, mas já estamos a analisar potenciais reforços, e temos alguns já referenciados que, a seu tempo, serão oficialmente divulgados. O plantel do Ronda deverá sofrer alguns ajustes, mas pretendemos manter a base com grande parte daqueles que nos ajudaram a chegar até aqui.

Quanto a objetivos, passarão por lutar pelos três pontos em todos os jogos, e atingir a manutenção o quanto antes. Seria muito bom para a época de estreia na 1 divisão, que vai apenas para a sua segunda temporada nos Campeonatos Distritais.