“Vivemos infelizmente um período em que temos mais perguntas do que respostas”

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A pandemia da covid-19 parou o Desporto e o Sanguedo não escapa aos efeitos da situação que todos vivemos. O clube está parado por completo desde a segunda semana de Março e o futuro ainda não está a ser equacionado. Mário Silva, presidente do clube, faz, por esta ocasião, muitas perguntas. Diz mesmo que, agora, há mais perguntas do que respostas e deixa claro que só garantidas todas as condições permitirá o regresso dos praticantes ao activo na próxima época.

A época futebolística chega ao fim antes do previsto. Todas as competições foram dadas por concluídas pela Associação de Aveiro. Foi o procedimento mais correcto?
Julgo que não há discórdia sobre essa matéria, porque todos sabemos que não há quaisquer condições para levar até ao fim as competições de futebol.
Não havia para o futebol juvenil e logicamente também não as há para o futebol sénior. Há quem diga que se deveria esperar mais um pouco. Eu discordo. Infelizmente estamos a lutar contra um inimigo invisível e ninguém tem uma resposta para o fim disto tudo. Ninguém sabe quando isto vai terminar. Ninguém sabe responder se podemos começar a próxima época.
Além disso, ninguém sabe responder se teremos a infelicidade de enfrentar uma segunda vaga da pandemia.

A época de 2019/2020 chega ao fim e, agora, é tempo de fazer contas ao que está feito e ao que falta fazer até 30 de Junho, data limite do fecho da época. Que implicações traz ao Sanguedo a decisão de dar por concluídas todas as competições?
A nível financeiro, a conclusão dos campeonatos por força da pandemia acarreta diversos problemas. De uma forma geral, posso dizer que parou de entrar dinheiro no Sanguedo. Totalmente.
Temos poucos patrocinadores e os poucos que temos pararam de apoiar como seria normal, porque também eles têm os seus problemas face à pandemia. Sem futebol sénior, parou o pagamento das cotizações. Não vamos andar porta a porta a pedir dinheiro das cotizações se não há futebol sénior.
O futebol juvenil parou. Os treinos de outros clubes aqui no nosso campo de jogos também pararam. Tudo somado, significa que não entra dinheiro.

A falta de apoios nesta fase complicada da época de que forma interfere na gestão do Sanguedo?
Temos, no imediato, um problema muito complicado para resolver: o pagamento do relvado sintético à empresa Safina. Já expusemos à empresa o que se passa no clube e contamos com a sua melhor atenção a tudo que explicámos.
O Sanguedo está completamente parado. Decidimos, de imediato, fechar tudo assim que foi determinada a interrupção dos campeonatos. Enviámos, inclusive, documentos à Indaqua e à EDP dando conta do que aqui se passa. Não temos quaisquer receitas e nem mesmo o campo de futebol de sete vamos conseguir terminar. Não vai ser possível organizar torneios de futebol juvenil. Nada. O Sanguedo parou.

A conclusão dos campeonatos distritais deixa, todavia, a porta aberta a mexidas nos quadros competitivos já na próxima época. Tratar- se-á de uma boa solução para os clubes?
Vamos dar a nossa opinião nos próximos dias à Associação de Futebol de Aveiro sobre como achamos devem funcionar na próxima época os campeonatos.
Não sou muito optimista, lamento, e por isso creio que não teremos uma época de 2020/21 normal. Eu diria que a próxima temporada poderá ter pouco mais de seis meses de duração, tendo por base o que se vai lendo ou ouvindo sobre uma hipotética segunda vaga da pandemia da covid-19.
Assim sendo, eu julgo que os quadros competitivos devem efectivamente ser alterados.

Que propõe o Sanguedo para os quadros competitivos se estes vierem a sofrer alterações em 2020/21?
Tendo por base que poderá haver uma segunda vaga da pandemia da covid-19 no próximo Inverno, eu diria que os próximos campeonatos devem ter uma duração mais curta. Deveríamos pensar que a próxima época não deverá ultrapassar os seis/sete meses de duração. Por isso, creio que os novos quadros competitivos deveriam comportar um menor número de jogos na próxima época. Isto significa que os campeonatos deveriam ter um maior número de séries e evitar, dessa forma, que um campeonato como o da Zona Norte da 2ª Divisão tenha tantos jogos.

E como irá o Sanguedo preparar a próxima temporada? O clube terá futebol sénior na próxima época?
Respondo com uma pergunta, se me é permitido: e se a próxima temporada tiver de arrancar com jogos de seniores à porta fechada?

Nessa condição, o Sanguedo terá futebol sénior?

Eu repito a questão: e se a próxima temporada tiver de arrancar com jogos de seniores à porta fechada?

Podemos deduzir que pode estar em causa o futebol de formação no Sanguedo?
Para haver futebol, as entidades têm que responder aos clubes o seguinte: estarão em Agosto reunidas todas as condições sanitárias para que haja treinos de preparação da nova época?. Estarão reunidas em Setembro todas as condições sanitárias para haver jogos de formação?. Vivemos infelizmente um período em que temos mais perguntas do que respostas. Sei que estou a fazer perguntas em vez de dar respostas, mas deixo desde já uma condição – o Sanguedo não inscreverá equipas se não estiverem reunidas as condições de absoluta normalidade para o funcionamento do clube e dos seus praticantes.