“A principal e melhor precaução é ficar em casa”

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Vítor Pereira é médico do Clube Desportivo Feirense e responde pela equipa profissional de futebol. Na última semana, e no âmbito de uma acção levada a cabo pela Liga de Clubes, explicou o trabalho que tem desenvolvido nos ‘azuis’ desde que a Liga Pro (II Liga) foi interrompida na segunda semana de Março.
A Liga de Clubes, recorde-se, realiza reuniões com diversos agentes de futebol e ainda com os responsáveis médicos para auscultar o que vai sendo feito nos clubes profissionais. O médico Vítor Pereira, do Feirense, fala sobre a pandemia da Covid-19 e garante que todos estão focados na diminuição da propagação do vírus.

Como é que a equipa médica do Feirense está a acompanhar a situação dos seus profissionais de futebol?
Tivemos que nos adaptar às circunstâncias actuais e delinear planos para uma actuação rápida e pronta. Adaptando-nos constantemente às necessidades diárias. Nesta adaptação diária, a elevada qualidade do nosso plantel é um factor muito significativo. Fomos mantendo todos os jogadores atualizados sobre a situação, foram informados do que se estava a passar, fizemos ações de sensibilização e de educação.
São jogadores que, na sua maioria, senão todos, sabem lidar com a situação e sabem ter comportamentos responsáveis sendo
um exemplo para a população. Os jogadores e o futebol foram exemplo para o país.

O futebol foi das primeiras actividades a optar pelo isolamento voluntário. Foi uma boa opção?
Os jogadores de futebol foram dos primeiros a proceder a um isolamento voluntário, com o intuito de ultrapassar esta adversidade que nos surgiu pelo caminho. Neste momento, o futebol e a competição passam para um plano secundário,
sendo que todos estão empenhados em preservar a saúde da população. Mantemos um contacto próximo com as autoridades de saúde pública para ajustarmos a nossa estratégia e evitar uma disseminação rápida desta doença. De modo a evitar saídas desnecessárias, temos desenhada uma rede de apoio para os nossos jogadores, suas famílias, para o staff e para os nossos
funcionários. Frequentemente é realizado contacto com o plantel e o staff. Desse modo, aferimos a sua situação e ajustamos as nossas atitudes consoante as suas necessidades.

Do ponto de vista clínico, há esperança numa resolução relativamente rápida do problema  que todos enfrentamos?
Estamos perante uma pandemia. Uma situação muito pouco frequente e que pode acarretar graves riscos para a saúde pública. Neste sentido, devemos seguir as orientações dadas pelas autoridades de saúde, que são aqueles que mais sabem sobre o comportamento epidemiológico das doenças. Estamos neste momento numa fase de mitigação, significa que existem cadeias activas da transmissão do vírus dentro da comunidade. Mais do que a rapidez da resolução do problema, importa saber o que vai acontecer durante essa resolução. Neste momento, devemos focar-nos em minimizar os efeitos e na diminuição da propagação do vírus pela comunidade.

Que precauções devemos ter?
Por ser um problema de saúde pública, por haver um grande risco para a população, por haver o risco de falência da resposta das instituições de saúde, foi decretado estado de emergência a nível nacional.
As precauções que devemos ter são básicas e simples. Acima de tudo, respeitar as indicações dadas pelas autoridades. Devemos, acima de tudo, proteger os mais idosos e aqueles que têm doenças crónicas. Devemos ter a preocupação de manter cuidados gerais que já temos no nosso dia-a-dia. Cuidados de higiene tais como tapar a boca quando se tosse ou espirra; lavar as mãos com água e sabão. Acima de tudo, a principal e melhor precaução é ficar em casa. E aqui vemos o exemplo que os nossos jogadores estão a passar, respeitando assim os pedidos expressos dos nossos profissionais de saúde.

No que diz respeito ao Feirense, os jogadores estão a cumprir planos individualizados e de que forma é feito o acompanhamento dos jogadores à distância?
O trabalho de uma semana normal, em que todos poderíamos conviver e estarmos juntos a partilhar o mesmo balneário, era planeado e organizado em consonância com os diversos departamentos (técnico, administrativo, médico…). Nesta fase, tivemos de ter uma resposta rápida e eficaz. Os planos que desenhámos, juntamente e com o acordo da equipa técnica, foram de encontro às necessidades identificadas pelo plantel e por cada um dos jogadores.