“O primeiro impacto deste novo coronavírus será o desemprego”

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Para Filipe Moreira esta é uma situação que tem que ser gerida dia a dia, conforme vão entrando novos dados. “É uma situação nova para todos, incluindo para os partidos. A nível nacional, o que falhou redondamente foi a precaução. Tínhamos tudo para termos começado mais cedo a precaver e a comprar material. Não se compreende a reação de passividade que o governo central teve quando esta pandemia chegou à Europa.
Deveriam ter agido para o impacto ser o menor possível” afirma o representante pela CDU.

 

Qual a perspetiva do partido sobre o Covid-19?
É tentar que o pico de infeções não seja muito alto, para que o Serviço Nacional de Saúde consiga aguentar e dar resposta. Este é o principal fator e, aquele que nos deve preocupar mais. E depois, estamos preocupados com a crise económica e financeira que aí vem.  Principalmente com os atropelos aos direitos dos trabalhadores, que já estamos a verificar. Nomeadamente com despedimentos ilegais, que já estão a acontecer no município.

 

Que leitura faz das várias medidas municipais que têm vindo a ser implementadas?
As medidas municipais estão em linha com aquilo que têm sido as medidas nacionais, no decorrer deste estado de emergência. Concordamos com todas as medidas que têm estado a ser efetivadas.
Uma das nossas propostas passa por garantir que as pessoas não paguem água, durante este período que estamos em casa. Uma vez que o serviço é privado, a Câmara não pode fazer muito mas pode chegar a um acordo para que as pessoas depois paguem a fatura diluída ao longo dos restantes meses do ano.

 

Sendo que esta é uma medida que está a ser feita noutros municípios e noutras regiões da Europa. Entende que a Câmara Municipal poderia estar a fazer mais?
Nesta situação social, sim. A questão da água que já referi anteriormente e as questões relativamente ao apoio aos idosos. Existem freguesias que já o fazem mas não existe uma iniciativa concertada por parte do município de apoio aos idosos. Sendo que é a faixa etária que mais sofre com este vírus. Algumas juntas de freguesia têm uma iniciativa de ajudar a
população mais idosa e em risco com entrega de bens essências.

 

Como vê essas iniciativas na comunidade?
Acho bem. Uma vez que muitos idosos estão isolados e, é uma mais-valia terem alguém que lhes leve as contas e ajude na compra dos bens essenciais.

 

Recentemente, foram criadas linhas de apoio comunitário. Como vê essa essa medida?
Estou perfeitamente de acordo.  Essa também é uma medida que vai ao encontro das orientações nacionais.
Esta questão do isolamento pode causar problemas psicológicos, como a ansiedade e depressão.

 

Muitas empresas continuam a trabalhar e, consequentemente,muitas pessoas. O que acha sobre esse tema?
Ainda existem muitas empresas que continuam a trabalhar, é um facto. E muitas destas empresas não estão a cumprir com as normas de segurança. E isso é preocupante. Se os trabalhadores ficam infetados, depois vão para casa infetar as famílias. E o aumento acaba por ser exponencial. Sabemos que muitas empresas estão a passar por momentos difíceis e que não têm capacidade para ficarem um mês paradas.
Mas provavelmente, é melhor ficarem um mês paradas e depois, eventualmente, recorrerem ao crédito para recuperarem, do que terem trabalhadores infetados.

 

Qual vai ser o impacto imediato deste vírus na economia?
O primeiro impacto que vamos ter, derivado a este vírus, é o desemprego.
Temos o exemplo da Molaflex, que enviou 150 trabalhadores para o desemprego e a Ecco que mandou rescindir com trabalhadores com contratos de três meses de experiência e fechou linhas de produção.
E depois com o desemprego vem a recessão económica.

 

O Europarque foi destacado
como um centro de testes ao vírus.
O que acha sobre essa solução?
É uma medida que é bastante positiva. A iniciativa privada tem capacidade para dar resposta. Agora, estamos na expectativa para saber quanto é que isso vai custar ao Estado. Sabemos que já estão a existir abusos por parte de entidades privadas na área da saúde, nomeadamente nos hospitais privados na cobrança de serviços.

 

O que o concelho pode fazer para que os números não aumentem?
Uma ação que tem que ser já feita, é a fiscalização às empresas por parte da proteção civil, para garantir que as estas cumpram com as normas de segurança. Na generalidade, no comércio estão a ser cumpridas mas em algumas empresas não. E esse acaba por ser o principal foco de contaminação no município. Daquilo que tenho visto, a população está a cumprir
na maioria com aquilo que são as indicações. É muito importante que as pessoas se mantenham em casa, principalmente nestes dias, em que está a acontecer esta fase de mitigação.