“Prezamos pelo bom atendimento e pelo bom serviço”

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Fernanda Oliveira, gerente da Padaria Santa Maria, em entrevista

A Padaria Santa Maria localiza-se na Avenida Francisco Sá Carneiro, em Santa Maria da Feira. Conhecida pelo famoso pão da avó biológico, dos húngaros e a fogaça certificada. Fernanda Oliveira, 58 anos é a gerente do estabelecimento. Em entrevista ao Jornal N fala sobre os produtos que vende, das consequências da pandemia e do facto de os autocarros estarem proibidos de parar na Avenida, o que dificulta o acesso às padarias e restante comércio.

Como surgiu a ideia para a criação deste estabelecimento?

Este estabelecimento foi criado inicialmente por uma brincadeira. O meu marido foi fazer o curso de padaria e pastelaria e, a partir desse momento começamos a tentar arranjar um espaço para começar a funcionar como padaria e pastelaria. Já são 23 anos, contando que tivemos uma das padarias mais antigas da Avenida Sá Carneiro, que era o Trigo de Ouro.

Quantas pessoas colaboram com a padaria?

Neste momento são quatro pessoas a colaborar com a Padaria Santa Maria.

Quais são as horas em que a padaria tem mais movimento?

Essencialmente as horas de pequeno-almoço, das 6h30 até às 9h. Depois depende muito dos dias. A zona onde a padaria está localizada acaba por ser uma zona de passagem ou até mesmo um ponto de encontro de pessoas que fazem viagens. Acabo por ter mais clientes que não são de Santa Maria da Feira.

Quais são os fatores que distinguem o seu estabelecimento dos outros?

Somos uma casa antiga e acaba por transmitir confiança às pessoas. Prezamos pelo bom atendimento e pelo bom serviço.

Como é a sua relação com os clientes?

Tenho uma ótima relação com os meus clientes. Posso dizer que até é uma relação de amizade, até muitos deles como família. Tanto com os clientes como com as pessoas que aqui trabalham, trata-os como família.

Quais são os produtos que vende que gostaria de destacar?

Vendemos os doces típicos de Santa Maria da Feira como os caladinhos e a fogaça, sendo que a nossa fogaça é certificada. Destaco, também, os húngaros que para mim são os melhores que já provei. Vendemos pão biológico que não leva fermentos compostos. Temos o melhor pão d’ avó da zona de Aveiro.

Quais são as características que tem para dizer que é o melhor pão da zona de Aveiro?

É um pão que tem sempre que ser levedado de um dia para o outro, nunca pode ser feito no mesmo dia. Tem uma levedação de sensivelmente 18 horas.

A padaria costumava ter muita afluência, antes desta pandemia?

Antes desta pandemia, sim. Principalmente ao fim de semana, onde paravam bastantes autocarros nesta zona e ajudavam bastante o negócio e o comércio local.

A paragem desses autocarros já não é possível?

Em Novembro, tivemos uma desagradável surpresa com a polícia que envolvia a paragem dos autocarros. A polícia começou a multar e, essas multas começaram a surgir na Câmara Municipal e nas agências de transportes. Ao não deixarem pararem os autocarros, que costumam vir com bastantes pessoas, traz consequências negativas para o negócio. Tivemos um autocarro na padaria há 15 dias, mas a polícia veio de imediato abordar o autocarro a dizer que não podia estar naquele local.

Quais são as implicações que traz ao negócio por não pararem os autocarros?

Tivemos uma redução bastante grande, no número de pessoas que se deslocavam à padaria. Entre os meses de Novembro e Fevereiro, o número de autocarros que paravam era bastante grande. Uma vez que essa paragem foi proibida, o negócio caiu 50 %. Durante a semana temos um ambiente fraco o que nos valia era mesmo o movimento que tínhamos ao fim de semana. E, esse movimento neste momento é zero. O recinto de Fátima abriu novamente as portas e Santa Maria da Feira tem por hábito ser um sítio de paragem dos autocarros. Neste momento não param na cidade porque a polícia anda a controlar essas paragens. Ao não deixarem os autocarros pararem e deslocaram-se para a padaria não ganhamos dinheiro e, o comércio local acaba por não lucrar.

Tomou alguma medida para resolver esta situação?

Mandei um e-mail e um abaixo assinado à vereadora a questionar sobre este assunto ao qual não obtive resposta. Falei, inclusive, com o presidente da Junta de Freguesia que me disse que não pode fazer nada. A polícia diz que as 6h30, as pessoas fazem muito barulho e que acordam os moradores. Mas a verdade é que eu tenho licença para abrir a essa hora. Se a polícia continuar a fazer pressão e a Câmara ou a Junta não fizerem nada em relação a isso, vai haver muito despedimento. O facto de não termos clientes faz com que os postos de trabalho não se mantenham.

Durante a pandemia não fecharam o estabelecimento.

Continuamos a trabalhar mas com um horário reduzido. Fui sensível ao ponto de não fechar porque o pão e o café são coisas que as pessoas precisam. Tive dias em que faturei muito pouco. Não mandei ninguém para lay-off nem pedi nenhum tipo de apoio.

Qual acha que é o maior prejuízo para a padaria provocado pela pandemia e por esta situação dos autocarros?

Sem dúvida que o maior prejuízo é a nível financeiro. É uma situação muito má para o negócio, porque era realmente ao sábado e domingo que, se faturava mais com os autocarros e existia mais movimento. Se realmente não conseguirmos que a polícia ou a Câmara sejam sensíveis a isto, vai ser bastante complicado. E para as pessoas que têm negócios e que queiram mantê-los, vão ter que mandar pessoas embora.

Que medidas de higiene adotou no espaço?

Implementei as medidas de acordo com as que a DGS mandou. O espaço que tínhamos para as dez mesas reduziu para cinco. Entre as mesas existe uma distância de dois metros. A parte da esplanada foi aumentada, de acordo com o que a Câmara Municipal autorizou. E depois as normas de higiene, desde a utilização de máscara à desinfeção das mãos.

Com o desconfinamento sente que o negócio está a voltar à normalidade?

Sinto que muitas pessoas ainda tem receio de vir, mas aos poucos já começam a regressar. O facto de termos uma esplanada é bom, porque muitas pessoas preferem ficar no exterior.

Por último, que apelo gostaria de deixar às pessoas?

Convido todas as pessoas a visitarem a Padaria Santa Maria e, experimentarem as nossas especialidades. Vindo cá estão a apoiar o comércio local.