“Venham até aqui ver, experimentar, tocar e conhecer este mundo”

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A loja Azul Bebé, situada na freguesia de Lourosa, é um negócio especializado na compra e venda de artigos de bebé e criança até aos seis anos de idade. A reutilização e a sustentabilidade são os conceitos principais que a proprietária, Diana Gomes, aplica para que seja possível praticar preços amigáveis numa das fases da vida onde mais gastos se fazem. Embora os artigos sejam em segunda mão, a Azul Bebé prima pela qualidade dos seus produtos e, acima de tudo, procura auxiliar os seus clientes que, no fundo, são também os fornecedores deste comércio local. A simpatia, a proximidade, o carinho e a interação com o cliente são outros dos ingredientes que compõem esta loja de artigos infantis. Por último, Diana Gomes, além de dar a conhecer o processo da compra e venda, confessa que o que a mais agrada é ver um cliente a sorrir, quando entra na sua loja; “isso aquece-me o coração”.

Diana Gomes, proprietária da Loja Azul Bebé, em entrevista

Quando é que este negócio teve o seu início?

Abri no ano passado, no meu dia de anos, a 26 de Outubro. E, no dia da inauguração, aproveitei para convidar os meus amigos e a família para conhecerem a loja e celebrar as duas datas com um bolo de aniversário.

Qual é o conceito principal desta loja?

O que fazemos é a reutilização de artigos de bebé e criança até aos seis anos. Ou seja, compramos e vendemos roupas, calçados e brinquedos. Tudo o que esteja em bom estado irá servir para outras pessoas utilizarem e não temos fornecedores, o nosso fornecedor é o cliente.

E como surgiu a ideia de implementar este modelo de negócio sustentável em Santa Maria da Feira?

Este conceito é muito usual na Europa. Eu viajei para a Suíça, onde os meus pais estão a viver, e para outros países europeus, nos quais é muito frequente ver este modelo de negócio. Aliás, as pessoas com mais posses aderem mais facilmente a este tipo de lojas do que as que têm mais dificuldades financeiras… Aqui também tenho visto muito esta parte, pelo que os clientes com formação e que têm uma gestão económica mais consciente e detalhada, aderem facilmente a estas iniciativas.

E de que forma decorre o processo, desde aquisição destes artigos até serem comercializados?

Faço sempre o tratamento dos artigos antes de serem colocadas em loja. Nesse sentido, as roupas são lavadas e aplicamos de seguida as etiquetas, que também são reutilizáveis, para indicar o preço, o tamanho e para dar outro aspeto à roupa. Quando as pessoas vão comprar alguma coisa em segunda mão, têm que ter o mínimo de conforto possível, a nível visual e de tato.

Existe, portanto, um certo cuidado na apresentação dos mesmos?

Sim. No fundo quero que os clientes venham cá e sintam que estão numa loja de roupa nova, sem sentir maus odores, nem ficar com uma má impressão da loja. Por isso mesmo é que a “construção” da loja foi feita por mim e pelo meu namorado e também com alguns amigos que nos ajudaram a fazer a pintura. Penso que o facto de a loja ser toda branca também dá outro aspeto e as roupas e os brinquedos ganham outro destaque pelas suas cores.

Uma vez que os fornecedores do negócio são os clientes, como é estabelecido este contacto?

Dado a situação atual, estamos a funcionar por marcações. O cliente contacta-me, por telefone ou através das redes sociais, e faço uma marcação para as pessoas trazerem os artigos que querem vender. Depois, faço avaliações no armazém para proceder à higienização e voltamos a contactar com os clientes para levantar o orçamento, mas o cliente só aceita se quiser, não há qualquer compromisso e não levamos isso a mal. Quer isto dizer que dou dois valores: um deles é o dinheiro na hora e o outro é em crédito loja, uma espécie de voucher. Sobre este último, damos sempre mais 25% do que o dinheiro na hora, pois queremos privilegiar quem gasta o dinheiro aqui, claro.

Quais são as principais ferramentas que utilizam no atendimento com a clientela?

Penso que a simpatia, a proximidade, o carinho e a interação com o cliente são muito importantes. O comércio local é sempre mais especial porque há sempre uma maior flexibilidade do que nas grandes superfícies comerciais. Gosto muito de falar com as pessoas e sentir que estão confortáveis aqui. O que mais me agrada é ver um cliente a sorrir, quando entra dentro da loja; isso aquece-me o coração.

De forma geral, que tipo de artigos comercializa e até que idades são destinados?

Tento sempre ter em loja artigos relacionados com bebés e crianças dos 0 aos 6 anos. Há artigos que vendemos novos, como produtos de higiene e de uso pessoal; mas comercializamos brinquedos e, sobretudo, artigos de puericultura. Temos também disponíveis alguns berços e todo o género de artigos que seguem esta ideologia da loja.

Qual é a sua principal intenção ao implementar este tipo de negócio?

O que quero é dar a conhecer às pessoas uma ideia de sustentabilidade e de rentabilidade. Além de ficar feliz por ajudar as pessoas, estas também começam a aperceber-se que poupam dinheiro e até dão valor a outras coisas que antes não davam. No que diz respeito ao vestuário, acredito que há várias opções e compreendo a ação de comprar uma roupa nova para nos sentirmos bonitos e melhorar a auto-estima, mas não precisa de ser novo… Hoje em dia, há várias lojas deste tipo dedicado aos vários géneros, embora só existam em maior número nas grandes cidades, como no Porto, mas na Internet também é possível encontrar.

Por último, que apelo gostaria de deixar aos clientes e população em geral?

Eu podia ter investido este negócio noutro concelho, como, por exemplo, no Porto e sabia que ia ter sucesso. No entanto, também quero ver o meu concelho a andar para a frente e a ser reconhecido. Acredito que as pessoas do concelho da Feira têm a capacidade e percepção para aderir a este tipo de conceito, daí a ter aberto aqui. As pessoas têm que ser educadas para isto e valorizar as coisas. Penso que a diferença entre as gerações também é assinalável, porque a geração mais nova é muito mais consumista do que os seus pais, por exemplo. Está sempre muito presente a ideia de comprar e descartar, enquanto que os nossos pais procuravam consertar e arranjar… Penso que isto é um trabalho a desenvolver por todo o concelho, de forma individual e social, mas o mais importante não é aceitar o conceito, é dá-lo a conhecer. Por isso, venham até aqui ver, experimentar, tocar e conhecer este mundo.

 

 

 

 

 

 

Azul Bebe