Bombeiros Voluntários de Lourosa celebram 52 anos com fôlego renovado

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Manuel Oliveira de Almeida, presidente dos Bombeiros Voluntários de Lourosa, tem ao seu encargo uma corporação composta por cerca de 100 bombeiros para dar resposta a 11 freguesias. Esta Associação Humanitária concretizou, no passado dia 8 de abril, o seu 52.º aniversário, contudo a situação da pandemia de Covid-19 limitou as celebrações. O presidente da associação aborda assim as dificuldades impostas pelo novo coronavírus; enumera as ambições futuras para os bombeiros de Lourosa e agradece, por último, todo o apoio que tem sido prestado.

No passado dia 8 de abril, os Bombeiros Voluntários de Lourosa completaram 52 anos de vida. De que forma foi assinalada a efeméride?

Este ano contávamos assinalar o nosso aniversário de uma forma um pouco mais animada, mas a circunstância de estarmos a viver uma pandemia não o permitiu. Assim, optamos por comemorar de uma forma mais singela aproveitando as redes sociais, através da nossa página de Facebook e do nosso site, onde nos dirigimos aos nossos associados e benfeitores. Simbolicamente, também hasteámos a bandeira às 08h00 da manhã desse dia com a minha presença, do comandante e de outro diretor. Esperamos que no próximo ano possamos ser mais festivos.

O que representa a assinalação deste aniversário?

Para associação penso que representa um motivo de grande orgulho o facto de já ter passado meio século desde a sua fundação. É também motivo de orgulho poder relembrar os seus fundadores e os muitos dirigentes que serviram a associação duma forma séria e honesta. Neste momento, é uma honra estar na associação e poder saudar, em particular, todos os seus bombeiros vivos e os que já partiram, pois sem eles não seria possível cumprir os desígnios que constam dos seus estatutos.

Há cerca de um ano esta corporação atravessou uma fase de instabilidade interna devido à alegada “má gestão” da direção. Após este episódio, como descreve o ambiente atual?

Não vivemos num mundo perfeito. Gostaria, desde já, ressalvar que todos os membros dos corpos sociais, da Assembleia Geral e do conselho fiscal – que são cerca de 20 pessoas – estão muito focadas e envolvidas na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lourosa. Após quase um ano, a meu ver, vivemos um ambiente excecional. Temos uma relação a roçar quase a perfeição com todas as pessoas que compõem o corpo ativo e o comando. Senti que havia uma vontade de mudança, de haver novas pessoas e penso que as pessoas que eu fui angariando eram as certas. Claro que há sempre alguma situação para resolver, mas a relação é extremamente positiva e penso que os bombeiros estarão satisfeitos. Tem sido uma excelente experiência.

Como foi a adaptação da equipa dos bombeiros voluntários face à pandemia de Covid-19?

Há cerca de um mês e meio – muito antes de a situação assumir estes contornos em Portugal – tivemos numa reunião em que estabelecemos um plano de contingência que foi aplicado no quartel. Entre as medidas, estabelecemos o número de pessoas que podiam estar dentro do quartel, o número de utentes, a criação de regras para os nossos bombeiros e precavemo-nos também com os meios de proteção, nomeadamente com os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s); Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC’s); máscaras; gel desinfetante, entre outros.

Que tipo de dificuldades aponta face a esta adaptação?

Os meios de proteção, rapidamente, tornaram-se muito especulados no mercado, mas ainda assim fizemos e tivemos que fazer o esforço para garantir a segurança dos nossos bombeiros. Gastámos uma “pequena fortuna”, mas, mais recentemente, tivemos algumas ajudas. Na verdade, há dois problemas para as associações de bombeiros e, em particular, para a nossa: o incremento das despesas de uma forma exponencial devido à necessidade de adquirir uma série de equipamentos, e o desfasamento assinalável entre a receita e a despesa devido à Covid-19. No entanto, não vamos deixar de fazer tudo o que temos de fazer e até ir mais além, como por exemplo no apoio à desinfeção e no transporte de enfermeiros quando necessário para tratar das pessoas, conforme foi dialogado com o senhor presidente da Câmara Municipal.

“Os Bombeiros Voluntários de Lourosa nasceram para circunstâncias como esta e para acudir à desgraça, embora não fosse imaginável uma situação destas”. – Manuel Oliveira de Almeida, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lourosa

Por que motivos assinala este “desfasamento assinalável” entre a receita e a despesa?

Por exemplo, as receitas dos transportes de doentes não-urgentes desceram de uma forma abissal, devido ao encerramento das clínicas e suspensão do atendimento nos hospitais para consultas de menor gravidade, e bem. Com isto, temos pessoal afeto ao transporte de doentes que está sem trabalhar. Embora não fosse uma função que desse lucro, isto representaria algum retorno… Atualmente, existe uma quebra de receita muito acentuada, entre os sete a dez mil euros por mês. Acresce a isso os milhares de euros nas despesas que não estávamos a contar e, como se compreende, em termos financeiros, não é um bom momento. Contudo, antes desta crise, a nossa economia estava bem equilibrada.

Caso a situação se prolongue por mais tempo, teme que isto possa condicionar as funções dos bombeiros voluntários?

Os Bombeiros Voluntários de Lourosa nasceram para circunstâncias como esta e para acudir à desgraça, embora não fosse imaginável uma situação destas. O lay-off, à partida, não se aplica aos bombeiros e, caso se aplicasse, seria quase imoral – numa fase como esta – dispensar pessoal. Mas, a verdade é que isto representa um estrangulamento financeiro considerável e a situação, tal como está, tem de ser apoiada; já demos nota disso às entidades que nos tutelam – tanto à ANEPC, como à Câmara Municipal. Por isso, só não faremos, se não for possível de todo. Não queremos que seja a dificuldade financeira a condicionar o nosso trabalho e ajudar quem necessita.

Uma vez que estas corporações estão em contacto direto com a população, que medidas têm sido acauteladas para os bombeiros voluntários, no âmbito nacional?

Já sensibilizamos as entidades e aquilo que recebemos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em termos de material, é muito escasso, não é suficiente. Daí a nossa campanha de angariação de fundos. Por outro lado, o apoio informativo e a forma como se deve proceder estão mais afinados. A meu ver, um dos problemas é continuar a atribuir-se a uma ambulância, para uma saída normal, o mesmo valor que se atribuía anteriormente. Os bombeiros têm de levar uma série de materiais de proteção e todas as saídas são altamente deficitárias neste momento. Não podemos estar à espera das autoridades para ter os equipamentos de proteção e assim tivemos que garantir, rapidamente, a segurança dos bombeiros e da população.

Que ambições ou projetos tinha a Associação Humanitária planeados antes desta situação?

Acima de tudo, seria a valorização dos nossos bombeiros com a certificação do TAS (Tripulante de Ambulância de Socorro) e tínhamos apostado, em particular, numa obra: a cobertura do quartel. Para além de ser em metal e amianto, está a meter água e terá que ser reparado. É necessário substituir toda a cobertura e é de grande vulto, mas não podemos passar outro Inverno naquele estado. A par disso, também temos um parque automóvel com uma média de 18 anos, o que torna muito difícil gerir uma frota nestas condições. Compramos duas viaturas num ano e conseguimos melhorar um pouco essa média, mas os veículos pesados passam a média dos 20 anos… E, tínhamos também a ambição de criar o nosso museu.

Por parte dos Bombeiros Voluntários de Lourosa foi lançada uma campanha de angariação de fundos no valor de dez mil euros. Qual é a finalidade da iniciativa?

A finalidade é exclusivamente focada na aquisição de EPI’s, EPC’s, máscaras, desinfectantes, álcool gel, batas, viseiras, cortinas divisórias nas ambulâncias e outros equipamentos que possam proteger os bombeiros e o acompanhante. Decidimos pedir 10 mil euros aos nossos amigos e benfeitores, que são muitos, felizmente. Gostaria de referir também que, ao longo deste ano, senti muito apoio das empresas e também alguma ajuda a nível municipal.

Até agora, que montante foi angariado?

Até ao dia de hoje, 15 de abril, angariámos 3375 euros. Compreende-se também que não é uma fase fácil para a população em geral, mas estamos num bom caminho visto que a campanha iniciou-se no dia 10 de abril.

Por último, que mensagem gostaria de deixar aos membros dos Bombeiros Voluntários de Lourosa e à população em geral?

Primeiramente, gostaria de deixar uma nota de agradecimento aos bombeiros, comando e membros responsáveis de todos os órgãos sociais que compõem a associação, porque têm mostrado muito foco, disponibilidade e determinação. Os bombeiros e bombeiras têm estado ao seu melhor no serviço da corporação e receberam estes novos órgãos sociais com toda a simpatia e amizade, tenho que lhes agradecer. Depois, agradecer a todos os membros de corpos sociais aquilo que têm dado, mesmo não sendo órgãos executivos, e tenho a certeza que vamos recuperar e melhorar as nossas condições. Vamos tentar aprovar, com a Câmara Municipal, o regulamento social dos bombeiros, pois estes bem merecem algumas benesses, do ponto de vista social. Por último, quero agradecer aos sócios, benfeitores e a quem têm ajudado a tornar mais fácil a gestão da corporação e, claro, também ao Jornal N por esta divulgação. No que diz respeito à população, as pessoas têm de se cuidar; proteger a si e aos outros, cumprir com as determinações dos organismos sanitários e ajudar os bombeiros nas suas tarefas e funções. A nível nacional e local, penso que a população tem cumprido com as normas e espero que consigamos a continuar a ser um exemplo.