Clube Desportivo Arrifanense está a um ano de completar 100 anos de vida. Direcção promete lutar pela subida, mas Carlos Silva diz que não alinha em promessas vãs

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Carlos Silva assume a presidência do Clube Desportivo Arrifanense em Fevereiro, um mês antes da pandemia ter forçado a interrupção de todas as competições. Carlos Silva sucede a Manuel Oliveira e mantém os desígnios do clube para 2020 e para 2021– o presidente do clube não alinha em promessas vãs e assinala que o Arrifanense opta por crescer sem dar passos em falso.

O Arrifanense está a um ano de assinalar o centenário. No futebol, a equipa principal do clube encontrava-se no segundo escalão do futebol distrital. É sua aspiração ver o clube no patamar principal já na próxima época?

Jogar na 1ª Divisão será muito pouco para o Arrifanense, concordo, mas é a realidade que vivemos. É a nossa realidade e a de muitos clubes. Também queremos subir mais degraus, mas temos os pés bem assentes no chão. Sem condições financeiras, não podemos almejar a altos patamares. O clube não é apenas o futebol sénior. Tem formação e tem futsal sénior e formação. É um grande clube, mas é um clube que gosta de honrar com todos os seus compromissos.

Imagina ver o Arrifanense subir na próxima época, a época do centenário do clube?

Procuraremos trabalhar nesse sentido. Tudo faremos por devolver o Arrifanense à Divisão de Elite em ano de centenário. Também queremos subir os juvenis à 1ª Divisão Distrital. Todavia, não estabelecemos metas tão concretas, sobretudo não dizemos às pessoas que vamos subir. O clube não vive de ilusões e a pandemia ainda veio piorar as coisas. Alguns patrocinadores podem sair e outros podem diminuir o apoio que nos têm garantido. Não gosto de promessas vãs. Não alinho por esse tipo de discursos. Estando o CD Arrifanense a caminho do centenário, admito que a subida à Divisão de Elite seria a cereja no topo do bolo, mas prefiro dizer coisas concretas. Temos um clube para ‘cuidar.

Esse discurso de cautela tem certamente por base a época agora dada por terminada. Havia vontade em ficar entre os cinco primeiros e em Dezembro a equipa estava no último lugar…

Não importa o que se passou, porque o passado é passado, mas essa é a realidade. Preferimos ser cautelosos e, por isso, não vamos alimentar ilusões ou apresentar planos que são impossíveis de concretizar. Eu gostava de dizer quer quero subir, mas ser cauteloso não é um problema. Vamos pensando jogo a jogo. Até porque não marco golos (sorrisos).

Voltemos a Março, quando o Desporto parou. Mais tarde, foi aplicada a interrupção definitiva. O que a pandemia provocou no clube?

Colocou o clube num marasmo total. Ninguém podia ir lá. O clube parou e ficámos confinados em casa. Quando isto começou a abrir um pouco, reunimos e começámos a pensar o que deveria ser a próxima época. E começámos a trabalhar, pintando os balneários, envernizando os bancos. Pusemos a nossa casa bonita. E ainda vamos pintar as bancadas. Quando começar a nova época, estará tudo a postos para os jogadores de todas as idades.

No capítulo financeiro, o clube sofreu ou ainda sofre com a paragem?

Sofre-se sempre um pouco. Algumas receitas que estavam previstas para Maio e Junho deixaram de existir, em concreto oriundas de torneios que iríamos realizar. Mas com a ajuda de patrocinadores mantivemos as contas em ordem. Mas a pandemia, admito, provocou algum revés. Não abalou, mas deixou algumas marcas.

Está definido o orçamento para a nova temporada?

Ainda não, porque estamos à espera da Direcção Geral de Saúde para ver o que é necessário fazer. A próxima época vai ser diferente. Vai ser difícil manter clube em total actividade. O nosso mandato termina dentro de um ano e todos queremos cessar funções de cabeça erguida. As adversidades, porém, não nos incomodam. E queremos ver o clube crescer e, em concreto, na área do futebol jovem ultrapassar os 200 atletas.

Como está a ligação entre a vila e o clube?

Estamos cada vez mais ligados aos sócios e adeptos do Arrifanense. Vem cada vez mais gente aos jogos dos seniores. O mesmo se passa no futebol juvenil e também no futsal. Assim que subimos à 1ª Divisão, isso galvanizou as pessoas, porque passaram a dar crédito às pessoas que estavam a gerir o clube. Temos mais sócios e as pessoas já querem saber o que se passa no clube. O Arrifanense despertou as gentes de Arrifana. A Junta de Freguesia também está do nosso lado. Este ambiente faz-nos correr com mais gosto e afinco.