Covid-19:“Gostaríamos que a Câmara agisse de forma mais objetiva e célere”

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Márcio Correia, presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista de Santa Maria da Feira, afirma estar “preocupado” com a propagação da epidemia do Covid- 19 em território feirense. Do ponto de vista geral, o responsável político acredita que a Câmara Municipal tem “estado bem”, não deixando de requisitar mais “rapidez” e “dinamismo”
nas acções tomadas.

 

Face a esta nova epidemia da Covid-19, que leitura faz da realidade atual no município de Santa Maria da Feira?
A realidade atual do município, infelizmente, é que o número de casos é crescente. Penso que temos que estar preocupados com a propagação da epidemia junto dos cidadãos de Santa Maria da Feira, numa estratégia de defesa e combate
a esse alargamento do vírus e, essencialmente, às pessoas mais idosas.
A Câmara Municipal, do meu ponto de vista, tem estado bem. Por vezes, acho que podia ser um pouco mais dinâmica e mais rápida a agir, mas dentro das suas possibilidades estão a tentar combater esta epidemia de forma direta e concreta.

 

Que planos de ação é que o Partido Socialista decidiu propor?
O Partido Socialista de Santa Maria da Feira teve o cuidado de apresentar um conjunto de medidas para construir, em parceria política e num caminho de solução e ação, uma linha de combate contra o vírus da Covid-19. Penso que só esta estratégia comum e unida é que poderá fazer com que o município de Santa Maria da Feira esteja mais apto e preparado para os casos e evitar as mortes.

 

Face às medidas que a Câmara Municipal já anunciou, como o encerramento de alguns espaços públicos e a suspensão do atendimento presencial nos serviços municipais, considera que estas medidas serão suficientes?
O PS considera que todas as medidas que a Câmara Municipal implante para combater o vírus são necessárias.
Na passada semana, apresentamos na Câmara Municipal um conjunto de dez medidas; como as equipas de desinfeção, em parceria com as Juntas de Freguesia, para agirem nas zonas mais movimentadas.
Também apresentamos e, a Câmara Municipal já criou, as linhas de apoio telefónicas – uma social e outra psicológica. A nível da educação, propusemos a oferta de tablets aos alunos mais carenciados e um apoio de 10 mil euros à Cruz Vermelha
de Sanguedo, aos Bombeiros Voluntários de Arrifana, Lourosa e da Feira. Uma das medidas que o PS vai adiantar também é que a Câmara deveria comprar e oferecer testes para os lares de idosos no concelho.
A postura da Câmara Municipal não é má, nem tido sido prejudicial, pelo contrário. Mas, gostaríamos que a Câmara agisse de forma mais objetiva e célere – isso é o que se pretende atualmente do Executivo e do Presidente da Câmara
Municipal.

 

Nesta fase a eliminação ou redução de certos impostos municipais foi proposta por alguns dos partidos da oposição. Que
impostos são estes?
Sabemos que existem outros partidos da oposição que defendem a suspensão do pagamento da tarifa da água. Nós achamos que esta medida é demasiado grande. Nestes três meses, o PS entende que deveria haver uma redução da tarifa de água, em 30%, visto que somos dos concelhos com os preços mais altos desta tarifa no país. Seria um sinal positivo que o município
daria às famílias das 31 freguesias.
Convém lembrar duas questões importantes: a primeira é que as famílias irão passar mais tempo em casa e terão gastos de eletricidade e água mais elevados; a segunda questão é que os rendimentos destas famílias, em muitos casos, irão ser inferiores.
Ora, pelos motivos que conhecemos, esta situação poderá criar um desequilíbrio orçamental na família. Esta aplicação da redução, embora pareça pouco, para as famílias será importante.

 

Uma vez que o concelho de Santa Maria da Feira tem uma forte presença industrial, num território com tantas fábricas e onde grande parte continua a laborar, não pode isto representar  um fator de risco, caso surja algum caso nestas unidades
fabris?
Sim, pode e essa é a situação nacional: o país não pode parar e os empresários têm que ter a noção que as regras mínimas têm de ser cumpridas com rigor. Por isso, entendemos que uma equipa de desinfeção deveria já estar no terrena a circular as zonas industriais e as pequenas e médias empresas. O PS tem conhecimento que existem Câmaras Municipais que têm reunido, duas a três vezes por semana, com as associações empresariais e sectoriais dos concelhos, mas não sabemos o que está a ser feito por parte da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Parecem-me um pouco lentos, nesse âmbito – nos concelhos vizinhos as Câmaras estão a reunir contactos com as associações, a decretar medidas de prevenção e a perguntar se necessitam de materiais de proteção.w

 

No que diz respeito ao impacto económico, que custos é que este surto epidémico poderá implicar para o município?
Entendo que daqui em diante, dado o impacto económico do vírus Covid-19, vamos partir para uma nova realidade e para uma reconstrução laboral, económica, empresarial e comercial totalmente diferente da crise de 2008 – penso que será transversal à Europa, ao país e a Santa Maria da Feira. No que diz respeito ao impacto social/laboralprivado; a pequena-média indústria e o comércio são os que irão sofrer mais. Com a crise na área da restauração, da cortiça e do calçado as empresas irão sofrer um pouco e poderá aumentar o desemprego.
No entanto, penso que o povo e os empresários de Santa Maria da Feira são pessoas capazes e dinâmicas.
Relativamente às contas do município, sabemos que, por exemplo, o Imaginarius já foi cancelado e bem.
Penso que irá haver outros cancelamentos e espero que ao nível da Viagem Medieval não traga aspetos negativos para a realização do evento.
As associações terão menos tempo para trabalhar, preparar e ensaiar, mas vamos a ver como a Comissão Executiva da Viagem Medieval irá ultrapassar isto.