“Não estávamos de todo preparados para viver uma coisa assim”

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Ângelo Santos deixa um alerta e um apelo para que todos os cidadãos possam perceber que só podemos vencer esta pandemia com a colaboração de todos. Cada indivíduo deve tomar as devidas precauções. “Todos juntos podemos vencer esta pandemia. Não há autoridade suficiente para resolver este assunto se, cada um não fizer a sua parte como cidadãos. Esperar que as entidades que nos governam e, que nos gerem, possam também dar poder de resposta para vencer esta batalha que, poderá ser a batalha das nossas vidas”, declara o presidente da concelhia do CDS.

 

Qual a perspetiva do partido sobre o covid-19?
Estamos a viver tempos nunca vividos nas últimas dezenas de anos. Temos que nos consciencializar que só podemos ultrapassar esta situação, se todos dermos o nosso contributo. E esperar que as autoridades que nos governam tenham essa sensibilidade e, não olhem a meios para protegerem a população.

 

Que perspectiva tem das medidas municipais que têm vindo a ser implementadas?
Acho que as medidas estão equivalentes às medidas do governo. Estão a ser colocadas mais medidas de reação em vez de prevenção. Estamos constantemente a reagir em vez de precaver para possíveis necessidades.

 

Entende que a Câmara Municipal poderia acionar medidas adicionais?
Não é só a questão da Câmara poder fazer mais. Muitas das vezes aquilo que se faz, faz-se num estado temporal um bocadinho a posteriori.
Exemplo disso é a situação dos lares de idosos. Sabemos que temos uma rede de lares bastante eficaz em todo o concelho. A questão é, até que ponto essas entidades estão protegidas e precavidas, não para reagir mas para precaver
nfeções. Todos nós temos que ter um bocadinho de consciência cívica daquilo que devemos fazer. E essa precaução, apesar de haverem bastantes esforços louváveis do município e das juntas de freguesia, deveria ser mais intensa. Principalmente
na população sénior. Não se pode esperar que essas pessoas tenham sintomas e só depois é que vão ter as devidas precauções. Depois acabam por contaminar toda a sociedade.

 

O que poderia ser feito para prevenir o vírus nos lares?
A população sénior que esteja em lares, neste momento, devia estar toda a ser rastreada. Não se deve esperar que tenham sintomas mas sim, optar pela prevenção para não contaminarem os restantes utentes.
Algumas juntas de freguesia têm uma iniciativa de ajudar a população mais idosa e em risco com entrega de bens essências.

 

Como vê essas iniciativas na comunidade?
Acho que são louváveis e bem- -vindas. Os próprios equipamentos de freguesia e de Câmara Municipal devem prestar auxílio às pessoas que estão mais desprotegidas e com menos condições de mobilidade. Todas essas ajudas são bem recebidas e, inclusive, deviam ser mais monitorizadas e intensificadas.

 

Muitas empresas continuam a trabalhar e, consequentemente, muitas pessoas. O que achas sobre esse tema?
Ainda há muita indústria que está a trabalhar porque tem que produzir. Mas as condições de segurança e higiene acabam por ficar menosprezadas. Acho que isso, muitas das vezes, coloca em causa a própria sanidade dos funcionários e coloca em causa as suas famílias.
Questionei há dias, o senhor vereador, sobre esse assunto, mas é uma medida que foge da alçada do município. E, o próprio governo diz que a indústria e o País não podem parar.
Mas, não sabemos até que ponto o preço que possamos pagar mais  frente será vantajoso.

 

O Europarque foi destacado como um centro de testes ao vírus. O que acha sobre essa solução?
Essa foi uma das soluções encontrada a nível nacional, para no fundo tirar as pessoas das urgências dos hospitais e, para serem feitos testes noutros lugares. Foi uma medida bem elaborada. Na minha opinião, acho que as próprias instituições
de saúde deviam criar centros de combate a esta doença, fora dos hospitais. Criar espaços específicos para isso e, para se fugir à contaminação.
O pavilhão do Europarque poderia ser equacionado como um hospital de campanha, completamente equipado, para poder receber nesta área geográfica, os doentes contaminados com coronavírus.
Dessa forma, não estão a contaminar e sobrecarregar os equipamentos de saúde.

 

Recentemente, foram criadas linhas de apoio comunitário. Como vê essa essa medida?
Todas essas linhas são bem-vindas e, são precisas que se tornem acessíveis e que sejam eficazes. E, todo o apoio psicológico que possa ser dado, principalmente a quem está dentro de casa, isolado, quer seja com crianças ou idosos é bem- -vindo. Por vezes, uma simples palavra, ou uma simples conversa com essas pessoas, é um motivo para terem ânimo e ultrapassarem
mais um dia. Oxalá que se intensifique e que tenhamos esse cuidadode cidadania.

 

Como acha que a população do concelho está a viver esta pandemia?
Temos uma consciência cívica ainda um bocadinho de que “não é nada connosco”. Temos uma população de risco, quer a nível sénior quer a nível de cidadãos de maior idade que está a menosprezar este perigo que está a afetar todos. Estamos
com uma pandemia muito intensa e muito perigosa para a nossa realidade. Não estávamos de todo, preparados para viver uma coisa assim.
Temos realidades muito preocupantes.