“No primeiro ano em que o Hospital abriu, tratamos 19 casos de cancro de mama. Neste momento, são mais de 100”

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Teresa Santos, médica de cirurgia geral e especialista em patologia mamária, em entrevista

O mês de outubro assinala duas datas que promovem a consciencialização e a prevenção do cancro da mama. Esta patologia é uma das principais causas de morte por cancro entre as mulheres, sendo considerado, entre estas, o tipo de cancro mais frequente. Anualmente, em Portugal, são detetados cerca de 6.000 novos casos de cancro da mama e, aproximadamente, 1.500 mulheres morrem com esta doença. O Jornal N esteve à conversa com Teresa Santos, médica de cirurgia geral e especialista em patologia mamária no Hospital S. Sebastião, que aborda o cenário concelhio e os diferentes tratamentos que a unidade hospitalar disponibiliza. A especialista, que está no Hospital S. Sebastião desde a sua abertura, explica os fatores de risco associados ao cancro de mama e mostra-se preocupada sobre a possibilidade da não-identificação desta patologia, por força do período pandémico.

Outubro é o mês que, a nível internacional, assinala a prevenção do cancro da mama. Que importância assume esta sensibilização?

O cancro da mama é a maior causa de morte, por cancro, na mulher em Portugal e no Mundo. Esta iniciativa de dedicar e considerar o mês de outubro para a prevenção e tratamento do cancro da mama é importante, pois pode alertar as mulheres portuguesas para quais as medidas e sintomas que devem ter em atenção. Os programas de rastreio também são importantes, uma vez que permitem um diagnóstico mais precoce da doença, o que também permite um tratamento mais bem-sucedido. Há também a questão de mobilizar a sociedade para puder contribuir, de uma forma monetária ou não, para os tratamentos nesta área.

Que leitura faz sobre o cenário concelhio?

O concelho de Santa Maria da Feira está incluído no rastreio da Liga Portuguesa Contra o Cancro, na zona Norte, para a deteção do cancro da mama. Nesse sentido, as mulheres do concelho “estão bem servidas”, uma vez que têm acesso a esse rastreio. Este é dirigido principalmente às mulheres, que não tendo sintomas, são convocadas para fazerem uma mamografia. A partir daí, pode-se detetar lesões que não eram palpáveis ou que não seriam detetadas de outra forma. As mulheres do concelho da Feira têm essa dupla vantagem: estão incluídas no programa nacional de rastreio e, por outro lado, dentro deste Hospital, existe um grupo multidisciplinar de médicos vocacionado a este tipo de patologia – como o cirurgião, o oncologista, a medicina física de reabilitação, o cirurgião plástico, entre outros.

Existe, portanto, um conjunto de tratamentos que são aqui realizados.

Sim, todos os tratamentos são feitos aqui, à excepção da radioterapia. Ou seja, os utentes fazem o diagnóstico e o tratamento cirúrgico e oncológico aqui. O único tratamento que não é feito, tal como disse, é a radioterapia, embora na Lenitudes isso seja possível.

E quantos casos de cancro de mama são identificados anualmente no Hospital S. Sebastião?

É uma identificação muito estável. Tratamos uma média de 120 novos casos por ano, sendo que a maior parte incide sobre as mulheres. Existe uma percentagem em cerca de 1% de homens. No primeiro ano em que o Hospital abriu, tratamos 19 cancros da mama. Neste momento, são mais de 100, embora este número se mantenha estável ao longo dos anos e, claro, muitos utentes são de outros concelhos.

 

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