Restaurante Europa sublinha importância da economia local na reabertura do comércio

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O Restaurante Europa, que celebrou este ano o primeiro aniversário desde a sua inauguração, irá reabrir esta segunda-feira, 18 de maio. O responsável do estabelecimento feirense, Ricardo Pinheiro, identificou “uma perda muito significativa” resultante da situação pandémica e prevê uma crise profunda no setor da restauração. A aplicação das medidas exigidas pela DGS conduziu a uma adaptação do restaurante à nova realidade; por outro lado, Ricardo Pinheiro considera que os apoios por parte do Governo foram insuficientes e sublinha, por fim, a importância do comércio local para o estímulo da economia.

Que impacto é que a pandemia de Covid-19 causou no seu estabelecimento?

Uma vez que tivemos que encerrar, falamos de uma despesa mensal na ordem dos 15 mil euros, sem qualquer tipo de retorno. Tínhamos casamentos, eventos e baptizados reservados que iriam traduzir-se em receitas consideráveis, mas com isto existe uma perda muito significativa do volume de negócios. Vão haver despesas incomportáveis neste setor. O apoio do lay-off foi muito pouco, não há perdões nas despesas e não se verifica qualquer tipo de ajuda do Governo.

Considera que esta situação poderá gerar uma crise no setor da restauração?

Não tenho a menor dúvida que, infelizmente, muitos restaurantes vão fechar. Um dos mais conceituados profissionais do setor da restauração já disse que nos próximos meses 50% dos estabelecimentos de restauração vão fechar. A economia vai retrair-se imenso e as pessoas não vão querer sair porque têm medo.

Durante o período de confinamento, encontraram algum tipo de solução para fazer face a esta quebra?

Sim, disponibilizamos o serviço de take-away durante 15 dias, mas não teve um retorno significativo.

Que medidas planeiam implementar a partir desta segunda-feira?

As divisórias entre as mesas, os funcionários irão utilizar luvas, máscaras, viseiras e gel desinfetante, mas ainda assim acho que são poucas as indicações concretas da Direção-Geral da Saúde e do Governo.

“É necessário tentar fazer com que a economia reaja, principalmente através do comércio local” – Ricardo Pinheiro, gerente do Restaurante Europa

Devido ao distanciamento físico mínimo exigido terão, certamente, que reduzir a capacidade máxima de lotação dos clientes…

Sim, mas no nosso caso não representa o “maior problema”. A lotação máxima fixava-se à volta dos 400 a 450 lugares; haverá uma diminuição em cerca de 50%, mas como os espaços são amplos, com cerca de 200 metros quadrados, iremos ter cerca de 200 a 250 lugares.

Nesse sentido, que medidas deveria o Governo e as entidades responsáveis ter em conta para evitar este cenário de retração?

A “máquina fiscal” até ao final do ano não deveria cobrar a TSU [Taxa Social Única] e isso já seria uma ajuda às empresas. Uma vez mais, os bancos é que foram ajudados, tenho amigos e colegas que pediram financiamentos e não conseguiram; não se entende. Isto irá implicar uma mudança drástica na forma como vivemos.

Que apelo gostaria de deixar ao setor da restauração e aos clientes?

A mensagem que quero sublinhar é que o Mundo é redondo, ou seja, temos que nos ajudar uns aos outros. Se não for assim, é impossível ajudar os meus funcionários, nem eles vão ter a possibilidade de ajudar outros negócios. Por isso, é necessário tentar que a economia reaja, principalmente através do comércio local. Mais do que nunca, temos que dar a devida importância a este comércio