Rui Costa despe-se de si mesmo para viver o caminho de Jesus durante a Paixão

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Entrevista ao “rosto” de Jesus Cristo nas várias recriações da Semana Santa

Rui Costa é quem, desde 2005, tem encarnado a personagem de Jesus Cristo nas várias recriações levadas a cabo pelo Grupo Gólgota na Semana Santa de Santa Maria da Feira. Há mais de 30 anos, participou na primeira representação da Via Sacra em território feirense. Com o passar dos anos, foram-lhe já passando pelas mãos vários personagens, mas destaca Jesus Cristo como sendo a mais marcante. Não se vê como um actor; encara a representação bíblica como um serviço. Enaltece o sentimento pascal, e acredita que a introdução da Última Ceia no programa foi das mais significativas melhorias protagonizadas pelo Grupo Gólgota nos últimos 30 anos.

Há mais de 30 anos, participou na primeira representação da Via Sacra em Santa Maria da Feira, já no Grupo Gólgota. Cresceu no seio deste colectivo. Que ensinamentos retira dessa experiência?

São muitas as aprendizagens que se conseguem retirar de um grupo com uma espiritualidade como a do Gólgota. Desde logo, aprendemos a partilhar, enquanto iguais; desenvolvemos e cultivamos as várias amizades que fomos criando ao longo de todos estes anos, sempre com um objectivo comum, que vai muito para lá do período pascal: viver, durante todo o ano, a paixão de Jesus. E fazê-lo não só entre nós, mas também nas nossas vidas, na mensagem que passamos para fora, ao outro. É um orgulho sabermos que vivemos a cada momento a paixão de Jesus por nós. Saber estar em cada um destes momentos e olhar para todos aqueles que de alguma maneira sofrem. E tentar perceber de que forma é que podemos ajudar.

De que forma encara as várias representações  e participações na Semana Santa?

Depois de tantos anos a participar nas recriações da Semana Santa, é relevante dizer que o papel que nos podem para representar é um papel ao qual me dedico por inteiro. Para mim, isto é mais do que representar per si. Não é teatro. Isto é viver e servir. Nessa perspectiva do serviço que se presta, nos últimos anos tenho tido esta grande oportunidade de tentar viver o caminho que Jesus viveu durante a Paixão. Antes disso estive noutros papéis, mas sempre nessa perspectiva de servir. Hoje é o papel de Jesus, amanhã poderá ser um outro. Acredito piamente que qualquer que seja a personagem, temos essa perspetiva de serviço. E neste campo, tudo o resto recai sobre a preparação. Nós não somos os protagonistas. Não podemos se quer considerá-lo nas várias representações da Semana Santa. Não estamos lá por entretenimento ou para receber reconhecimento. Não procuro público, não vejo público na Semana Santa. Vejo sim pessoas crentes, a acompanhar-nos lado a lado.

Apesar de já o fazer há tanto tempo, continua a existir o nervosismo característico desses momentos?

Nervosismo existe sempre. Temos milhares de pessoas a olhar-nos a cada segundo. Não há momentos de descanso ou intervalo. Jesus também não os teve. É uma vivência contínua, e por isso temos de estar sempre dedicados. E esse nervosismo existe nos momentos que antecedem. Depois de iniciarmos, esquecemos completamente a nossa realidade, o que nos rodeia, e já não sou eu. Vivo aqueles momentos em que me procuro reencontrar comigo, e de alguma maneira viver o que Jesus viveu. E já não penso em mim.

Das várias personagens que encarnou, alguma lhe traz um sentimento especial?

São já várias as personagens que encarnei ao longo de todos estes anos, sendo que a de Jesus me está incumbida desde 2005. Foram muitas histórias, e a própria Semana Santa foi crescendo com o passar do tempo. Nos primeiros anos existia apenas a Via Sacra, depois passamos a ter a Entrada Triunfal e finalmente a Última Ceia. Estar com a personagem de Jesus foi e é, de cada vez que acontece, um momento alto. Não consigo dizer de outra forma. Todos os momentos são únicos.

Leia a entrevista na íntegra na edição online do Jornal N.

Fotografia: Paulo La-Salette