“Há cerca de duas décadas que Espinho parou no tempo”

Justino Pereira, candidato pela CDU à Câmara Municipal de Espinho, em entrevista

 

 

POLÍTICA

 

A CDU tem em Justino Pereira o seu representante e candidato à Câmara Municipal de Espinho. Acredita que o projeto político da CDU é o “único” que coloca os interesses da população “acima” dos políticos ou individuais. Sublinha que o concelho tem “perdido identidade”, por força da governação social-democrata. Caso seja eleito, algumas das suas principais propostas estarão voltadas para as áreas  do emprego, habitação, meio ambiente e cultura.

 

 

 

 

 

Candidata-se a presidente da Câmara Municipal de Espinho. Quais são as motivações da sua candidatura?

 

As principais motivações advêm de ser um espinhense que ama a sua terra, que a defendeu desportivamente e sempre a valorizou pelas paragens por onde andou. Lamentavelmente, hoje todos verificamos que há cerca de duas décadas este concelho parou no tempo. Como sempre fui participando nas listas da CDU para vários órgãos autárquicos, a coordenadora da CDU em espinho entendeu fazer-me o convite para tão honrosa tarefa, mas ao mesmo tempo de uma responsabilidade enorme, o que me fez refletir. Após essa reflexão, entendi que seria cobardia da minha parte virar as costas às gentes de Espinho e recusar tal convite. Por isso decidi avançar e só mesmo num projecto como o da CDU o poderia concretizar pois é a única força política que coloca os interesses das populações e dos povos acima de quais queres interesses políticos ou individuais.

 

Como avalia o trabalho desenvolvido pelo atual executivo camarário?

Creio ser redutor fazer só uma avaliação aos últimos 4 anos. Para ser coerente até com a primeira resposta, devo recuar pelo menos duas décadas. Período em que Espinho de facto parou no tempo e houve uma clara degradação da cidade que nem esta recente intervenção, nem outras anteriores, conseguiram ultrapassar. O mais grave é que nestes últimos 4 anos havia todas as condições para minorar os impactos negativos do enterramento da via-férrea e tal não foi de todo conseguido. Daí o nosso objetivo ser a necessidade de resgatar Espinho. Lamentamos as constantes agressões ambientais, seja no abate de arvores adultas, assim como a criação de espaços sem qualquer área verde ou arvoredo, desportivo, de lazer ou de convívio. Para piorar, o Recafe permitiu a construção de equipamentos que, em mais do que uma rua tapam o visionamento do mar, uma das referências da nossa cidade, pois em qualquer das ruas descendentes se avistava o mar, agora não, o que revela uma falta de sensibilidade da elaboração do projecto e que deveria ter sido corrigido por quem gere a autarquia.

 

O concelho tem perdido identidade. E isso acontece, na minha perspetiva, porque para quem tem liderado a autarquia o fator mais relevante é sempre o procurar assegurar a próxima eleição e “anular” ideias unicamente porque resultam da oposição por mais valor que possam ter. Independentemente de quem esteja na gestão da autarquia há sempre uma tentativa de bloqueio que é necessário ultrapassar. Isso só se fará com um trabalho inclusivo respeitando os mandatos que o eleitorado decida atribuir a cada uma das forças concorrentes às eleições, distribuindo responsabilidades por todos os eleitos. Praticar um trabalho autárquico de envolvimento das freguesias em vez de as procurar condicionar a troco de um determinado posicionamento nas assembleias municipais. Ao nível dos recursos humanos da autarquia, esta enquanto entidade patronal, tem criado um clima de intimidação e mau estar que é reportado por muitos trabalhadores. Temos de tratar os funcionários camarários com a dignidade que merecem. Dou um exemplo: os trabalhadores com a carreira de assistente operacional ainda não lhes viram ser atribuído o suplemento de penosidade e insalubridade como determina o Orçamento de Estado de 2021. A CDU, tal como fez em todas as autarquias por si lideradas, também em Espinho avançará imediatamente para a sua aplicação com a respectiva retroatividade a Janeiro 2021 como determina a Lei.

 

Daí defendermos de forma muito concreta que há uma necessidade urgente de acabar com esta alternância PS/PSD na liderança da Camara, e dar a oportunidade a um projecto alternativo que só a CDU poderá concretizar.

 

 

Leia a entrevista na íntegra na edição desta semana do Jornal N.