Movimento 2030 “não poupa esforços” em prol da floresta de Ovar

O abate massivo de árvores no Perímetro Florestal das Dunas de Ovar motivou uma petição contra esse acontecimento que conta com cerca de 17 000 assinaturas

São cerca de 17 000 as pessoas que já assinaram a petição pública elaborada pelo Movimento 2030 para que se salve o Perímetro Florestal das Dunas de Ovar e que tem como destino a Assembleia da República. Este é um dos assuntos do momento no concelho vareiro e no futuro será do conhecimento de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, conforme revelou Henrique Araújo ao Jornal N. “É um dos próximos passos. Estamos a aguardar uma audiência com o Presidente da República. Esta já foi pedida, mas estamos pendentes da formação do novo Governo e, consequentemente, da nova assembleia. Vamos entregar em mãos todas estas assinaturas ao presidente e vamos fazer-lhe sentir a real importância deste assunto.”

Os objetivos desta petição são bem claros: a reversão da decisão do abate massivo de árvores no Perímetro Florestal das Dunas de Ovar e a revisão da tutela que gere este espaço, para que esta fique sob gestão da Câmara Municipal de Ovar. Sobre este último trâmite, Henrique Araújo revela que o pretendido é, de facto, que a tutela passe para a Câmara Municipal de Ovar, mas com a condição de que “qualquer decisão futura sobre este espaço terá de ser tomada em Assembleia Municipal e aprovada com uma maioria qualificada e não com uma maioria simples, porque se entende que uma maioria simples pode adulterar o futuro da floresta.”

Recorde-se que, tal como a autarquia vareira informou em comunicado, “o Perímetro Florestal das Dunas de Ovar é uma área submetida ao Regime Florestal Parcial desde 1920 por força dos Decretos de 24 de dezembro de 1901 e de 1903, inclui terrenos pertencentes à Junta de Freguesia de Esmoriz, à Junta de Freguesia de Cortegaça, à Junta de Freguesia de Maceda e ao Município de Ovar, estando sob gestão direta do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, diretamente sob a tutela do Departamento da Conservação da Natureza e das Florestas do Centro (…).”

Questionado sobre as declarações que Domingos Silva, vice-presidente da autarquia vareira, prestou a um meio de comunicação social, Henrique Araújo mostrou-se “extremamente surpreendido.” “Aquilo que o senhor vice-presidente da Câmara Municipal de Ovar disse relativamente ao facto de não saberem quando se ia cortar é grave, porque isso significa que se sabia que se ia cortar e nada fizeram para o impedir” – afirmou Henrique Araújo, acrescentando ainda que é “extremamente preocupante o facto de se perceber” que a autarquia “está confortável” com este abate. “Parece tudo normal. Pensávamos que o município de Ovar era o maior interessado em manter a sua floresta” – concluiu.

Lembre-se que Domingos Silva, em declarações ao canal de televisão SIC, considerou que a reação da população “é natural” e reconhece que a câmara municipal deveria ter “informado as pessoas que isto ia acontecer”, mas que só não o fizeram porque não sabiam “quando ia acontecer.”

Quanto à participação no Ministério Público apresentada pelo grupo da Assembleia Municipal do Movimento 2030, a ‘cara’ deste movimento revelou que “está a seguir os seus trâmites legais”

Henrique Araújo afirmou que “o Movimento 2030 não poupa esforços pela floresta de Ovar” e adiantou que esta semana estará “na rua, para distribuir folhetos que explicam aquilo que está a acontecer.” Esta campanha de sensibilização em prol do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar está aberta a todos aqueles que queiram participar.