Plastaze entra em lay-off e despede 180 temporários em Oliveira de Azeméis

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A empresa Plastazes – Plásticos de Azeméis S.A. entrou em regime de suspensão temporária dos contratos ou horários laborais (lay-off) e despediu cerca de 180 trabalhadores temporários, revelou na passada quarta-feira a coordenação distrital de Aveiro do BE. Segundo o partido, essa unidade pertence ao Grupo Simoldes, também com sede no concelho de Oliveira de Azeméis, despediu mesmo os funcionários que podiam ficar mais de um mês consecutivo sem trabalhar só descontando
folgas a que já tinham direito pelo banco de horas que não lhes foi pago.

“Alguns deles têm mais de 180 horas acumuladas em banco de horas em pouco mais de três meses, [o que representava] horas suficientes para cobrir o tempo de paragem da empresa até entrada em `lay-off`”, declara o BE, que refere que esse
entrou em vigor no início de abril.

Com ou sem horas a mais, todos os 180 precários que se viram dispensados das funções que exerciam na Plastaze através da empresa de trabalho temporário Kelly Services foram despedidos “antes do término dos [respetivos] contratos, sem aviso
prévio e sem [usufruir do] gozo ou pagamento de férias”.

Afirmando que o caso já foi denunciado à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), a coordenação distrital do partido defende que em causa estão irregularidades cometidas “à boleia da covid-19” e agravadas pelo facto de que, segundo
o pessoal da fábrica, “a má prática de abusos para com os seus trabalhadores era uma constante” já antes da pandemia.

Entre os aspetos que motivam críticas à empresa  inclui-se, alega o BE, a circunstância de essa “pedir, principalmente aos precários, que fizessem horas ao sábado e domingo, revertendo esse trabalho para banco de horas”, mas sem direito a dia de descanso compensatório.

A Plastaze é também acusada de não pagar o subsídio de refeição ao sábado e domingo, “mesmo quando os trabalhadores laboravam de segunda a segunda-feira”. O BE defende, por isso, que a medida extraordinária aprovada pelo Governo para proteção do emprego só está a ser aplicada aos funcionários com contrato efetivo na Plastaze e que a empresa “não se coíbe
de abandonar centenas de trabalhadores sem vínculo permanente enquanto recorre a fundos públicos de auxílio”. O partido já remeteu o assunto para o Ministério do Trabalho, apelando à intervenção da ACT e questionando se “o Governo vai permitir que a empresa recorra a fundos públicos, nomeadamente para `lay-off`, ao mesmo tempo que despede 180 trabalhadores”, ou se, pelo contrário, o Estado só lhe permitirá recorrer a esse apoio na condição de que a unidade “mantenha todos os postos de trabalho” que aí existiam antes do surto de covid-19.