“Para além de uma escola política, a Juventude Socialista quer ser uma escola para a cidadania”

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Martim Guimarães da Costa assumiu as rédeas da Juventude Socialista de Ovar em 2017, praticamente sozinho. Depois de um resultado eleitoral menos favorável para os socialistas vareiros, o responsável muniu-se de um grupo de amigos, traçou linhas orientadoras e decidiu segui-las. Criadas as condições, os jovens começaram por apontar vários problemas no Município de Ovar. Entre eles, Martim Costa destaca a necessidade de criação de um plano municipal para a mobilidade, que defina um circuito de transportes rodoviários capazes de chegar a todas as freguesias, colmatando desigualdades. Acredita que a preocupação com temáticas interesse da população mais jovem a mantém próxima da esfera política, e que o período pandémico não deveria ser utilizado para “instrumentalizar” uma doença, dados e vidas, mas sim para reflectir naquelas que são as necessidades de um povo e de uma terra.

Em 2017, quando assume o comando da Juventude Socialista, quais foram as prioridades traçadas?

Começamos por identificar vários problemas que o nosso Município tinha, relativamente aos jovens. É preciso entender que Ovar é um Município fortemente industrializado, onde existe uma quantidade significativa de jovens que são operários . Faltava voz a estas pessoas, faltava-lhes representação. Ovar tem também um grande problema naquilo que diz respeito ao acesso à habitação: é o terceiro concelho com as rendas mais altas em todo o distrito de Aveiro. Tudo isto coloca sérios entraves à emancipação dos jovens e com a própria demografia. Ovar é um município dormitório: as pessoas de cá trabalham nos municípios vizinhos como Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis ou Estarreja, e isto fez com que a cidade de Ovar perdesse também o seu dinamismo. Há jovens no Município de Ovar que sentem dificuldades de mobilidade, por falta de um plano municipal para esta área. Temos um concelho dividido em três, com a A29, a EN109 e a própria linha ferroviária, e portanto existem muitas ligações Norte/Sul, mas depois a Nascente/Poente existem enormes entraves. Com isso, acentuam-se as desigualdades no acesso à Educação e também na própria procura de emprego.

Que comportamentos poderão ter provocado essa “falta de dinamismo” na cidade?

Existiram alguns erros estratégicos cometidos em Ovar no passado, e aí também faço críticas ao meu partido. Foram retirados todos os grupos de Carnaval do centro da cidade e colocados numa zona industrial, por exemplo, e isso quebrou, na minha opinião, algum do dinamismo da cidade. Depois, ainda hoje assistimos a falta que uma plataforma que articula ao certo a oferta profissional e de ensino faz. Ovar é uma cidade com poucas iniciativas naquilo que à dinamização urbana diz respeito. Há situações pontuais, sim, mas falta uma estratégia global e permanente que devolva o dinamismo à cidade, para que se fixem os jovens. No futuro, Ovar pode vir a ser uma cidade envelhecida, se não tivermos essa capacidade de fixação, e seria uma pena.

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