Munícipe afirma que o Hospital S. Sebastião não está a cumprir a lei

Grávida afirma que o Hospital está a incumprir a lei ao não permitir que o pai entre no momento que a mesma na urgência; CHEDV esclarece que faz o seguimento e cumprimento das leis e normas em vigor

Residente no concelho de Santa Maria da Feira, escolheu o Centro Hospitalar Entre o Douro e Vouga (CHEDV) para ter o seu filho. Foi através do curso de preparação para o parto da USF que tomou conhecimento das regras adotadas pelo hospital, durante a pandemia, para o parto e para o seu acompanhante. “O hospital da Feira não permite que o pai entre até a grávida ter 6 cm de dilatação. Após o bebé nascer fica 30 minutos e tem imediatamente de sair. Tem ainda apenas duas horas por dia para visitar a mãe e o próprio filho”, referiu. Acrescentando que se o parto for de cesariana, “o acompanhante nunca entra”. A gestante afirma que em comparação com outros hospitais públicos, “como por exemplo, o de Matosinhos” o de Santa Maria da Feira apresenta medidas “bastante restritas”.

A grávida depois de lhe informarem sobre as medidas, expôs o assunto na preparação para o parto, ao qual lhe disseram que são as medidas adotadas pelo CHEDV. Descontente com a resposta, a gestante disse que já enviou um email para o hospital, ao qual não obteve resposta. “Farei na mesma uma exposição ao Hospital S. Sebastião por escrito e escreverei no livro de reclamações”, declarou. A gestante informou-se e afirma que está na lei, “que não podem proibir”, neste caso o pai da criança, “de acompanhar a grávida, a partir do momento em que entra nas urgências”. A grávida acrescenta que “não é justo uma pessoa passar por todo o processo sozinha”. A gestante menciona o Artigo 12 da Lei 15/2014, 21 de Março nº 57/2014 do Diário da República em que está escrito que “nos serviços de urgência do SNS, a todos é reconhecido e garantido o direito de acompanhamento por uma pessoa por si indicada, devendo ser prestada essa informação na admissão pelo serviço e, é reconhecido à mulher grávida internada em estabelecimento de saúde o direito de acompanhamento, durante todas as fases do trabalho de parto, por qualquer pessoa por si escolhida”.

O Jornal N contactou o CHEDV para esclarecer as regras adotadas para os acompanhantes da grávida, ao qual obteve a seguinte resposta: “O CHEDV faz o seguimento e cumprimento da lei e normas em vigor. O Serviço de Obstetrícia teve necessidade de reestruturar circuitos e adaptar-se a esta nova realidade da pandemia (COVID-19) tendo havido a necessidade de fazer algumas restrições para segurança de utentes e profissionais. No entanto, cumprindo as regras de segurança e proteção, todos os pais estão a assistir ao nascimento dos bebés e, posteriormente a visitar todos os dias as mães e os filhos. No CHEDV os pais estão a assistir ao nascimento dos seus filhos (são chamados assim que se inicia dilatação), à exceção se a grávida for para cesariana.  Dando seguimento às normas da DGS, em relação ao número de elementos no espaço da sala operatória, no caso de cesariana, o pai não permanece no local, sendo convidado a entrar na sala operatória assim que o filho nasce, podendo ficar com o filho e com a mãe”, esclareceu o Centro Hospitalar Entre o Douro e Vouga.