Zoo de Lourosa continua a alimentar 500 aves e a manter 80 habitats sem bilheteira

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin

O Zoo de Lourosa, que é o único parque ornitológico do país, revelou ter readaptado procedimentos para, mesmo sem bilheteira, alimentar 500 aves, manter 80 habitats e cuidar de crias bebés. Gerido pelo município, o equipamento está encerrado ao público desde 12 de março, no seguimento da ordem camarária decretando o fecho de vários espaços municipais para conter a disseminação da covid-19.

As receitas de bilheteira são agora inexistentes, pelo que, enquanto durar o estado de emergência nacional, o Zoo depende apenas do subsídio de 23.750 euros mensais da Câmara para gerir uma equipa de 11 funcionários e responder às necessidades de 500 aves de 150 espécies de diferentes origens geográficas. “O nosso compromisso para com o bem-estar das aves continua a ser a nossa principal prioridade. Elas necessitam de cuidados diários, como alimentação, limpeza e assistência veterinária, e, nesta fase, tratadores de animais, médico veterinário e equipa de higiene dão o seu máximo, presencialmente, para manter as aves e o espaço nas melhores condições”, disse a diretora do Zoo, Salomé Tavares.

Entre os procedimentos reajustados para minimizar o risco de contágio pelo novo coronavírus entre o pessoal da casa incluem-se “o desdobramento e rotação da equipa de trabalho, bem como o reforço das ações de limpeza e desinfeção”,
sempre com recurso a materiais seguros para os animais. Já ao nível nutricional, “os protocolos alimentares continuam a ser cumpridos de modo muito rigoroso, para assegurar que nada falta às 500 aves do parque”, muitas das quais em risco
de extinção. “Além de ração, peixe e carne, nessa alimentação são gastas cerca de 2,5 toneladas de frutas e legumes mensalmente, resultando esses vegetais da doação de hipermercados da região”, realçou a bióloga.

Ainda assim, a responsável admite alguma preocupação quanto aos efeitos da crise gerada pela pandemia, até ao nível da continuidade desses donativos alimentares face às crescentes dificuldades da economia nacional e mundial, mas espera
que “esta seja uma situação transitória e que, brevemente, o Zoo possa regressar à normalidade das suas atividades”. Salomé Tavares notou, aliás, que ainda não conhece qualquer caso em que as organizações internacionais do setor tenham registado
covid-19 em aves, pelo que acredita que o ambiente próprio do Zoo se revelará particularmente agradável para os visitantes depois de levantado o estado de emergência nacional e ultrapassadas as necessidades de isolamento e distanciamento social.

Essa perspetiva prende-se com o facto de o público habitual do Zoo de Lourosa ainda não ter tido oportunidade de conhecer algumas das suas aves recém-nascidas. “É que a vida no parque continua e, neste momento, já temos várias aves no ninho”, referiu a bióloga. É o caso da coruja de lunetas (da espécie Pulsatrix perspicillata), do faisão de Edwards (Lophura edwardsii), do pombo imperador (Ducula bicolor), da ave martelo (Scorpus umbreta) e das primeiras crias nascidas em Lourosa de catatua Galah (Eolophus roseicapillus) e ganso domEgipto (Alopochen aegyptiacus).

Essas e outras aves continuam disponíveis para apadrinhamento por cidadãos particulares, empresas e outras instituições, pelo que Salomé Tavares apela a que “quem puder se disponibilize para acarinhar e ajudar à preservação destas espécies”, o que permitirá igualmente uma maior divulgação dos esforços científicos em curso no âmbito do seu estado de conservação.