Há um ano, Amadeu Albergaria assumiu a presidência da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Mais do que uma mudança de cargo – foi o pontapé para imprimir “um estilo próprio” à liderança com “responsabilidade”. Foi a oportunidade de reescrever as regras da gestão municipal, destacando a sua aposta por “novas dinâmicas” na acção autárquica, comprometendo-se a “desbloquear processos adiados há demasiado tempo” com projetos estruturantes, como o Túnel da Cruz e o novo Tribunal.
As prioridades, os avanços alcançados e os valores que o guiam, marcam uma condução de proximidade com os munícipes e o compromisso inabalável de transformar o presente, preparando o terreno para as reais necessidades e para um futuro inovador.
“Total dedicação, trabalho sério e empenho diário” são as palavras de ordem que traçam o seu percurso e refletem a lealdade para com o seu povo, com a certeza de que este, indubitavelmente, será sempre o seu compromisso: “não desiludir os feirenses”.
O autarca garante que Santa Maria da Feira “é, cada vez mais, um concelho coeso, moderno e com qualidade de vida para todos”.
1 – Há um ano assumiu a presidência da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira. Como descreve a transição de vice-presidente para presidente, especialmente num contexto de mudança a meio do mandato?
Penso que a transição foi tranquila, mas naturalmente exigente e desafiante do ponto de vista pessoal, tendo sido assumida com grande responsabilidade. Já acompanhava de perto os principais dossiês da Câmara Municipal, o que facilitou também este processo de mudança. Além disso, contamos com uma autarquia bem organizada, financeiramente sólida e apoiada por uma equipa de profissionais competentes, o que permitiu que a atividade municipal decorresse com normalidade.
Ainda assim, procurei imprimir um estilo próprio à liderança, promovendo novas dinâmicas no exercício da ação autárquica. Coincidindo com a mudança de Governo de Portugal, aproveitei a oportunidade para reunir com diversos ministros e apresentar um conjunto de prioridades para o concelho e para os feirenses, cuja resolução dependia da Administração Central. Refiro-me, em particular, ao Túnel da Cruz e ao Tribunal de Santa Maria da Feira. Dois processos que os feirenses conhecem bem e que, felizmente, temos conseguido dar passos firmes para que se tornem realidade.
2 – Enquanto presidente mantém também o pelouro das Obras Municipais. Como tem sido gerir simultaneamente estes dois cargos e que desafios isso lhe trouxe no último ano?
Conciliar a presidência da Câmara com o pelouro das Obras Municipais tem sido, sem dúvida, um grande desafio. O principal desafio prende-se com a gestão eficaz do tempo, uma vez que as Obras Municipais exigem, na minha perspetiva, um acompanhamento constante e uma dedicação intensa. Organizar a agenda de um presidente de Câmara, que inclui inúmeras reuniões, decisões, planeamento estratégico e compromissos institucionais, com as exigências deste pelouro, não é uma tarefa fácil.
No entanto, encaro essa acumulação como uma mais-valia. Manter esta pasta permite-me estar mais presente no terreno, próximo dos trabalhadores, dos presidentes de junta de freguesia e da população. Essa proximidade é essencial para ouvir, aprender e acompanhar de perto a evolução do concelho.
Foi importante manter esta responsabilidade, não apenas por uma questão de continuidade, mas porque está em curso um investimento muito relevante no nosso território. Só em obra física, o investimento municipal prepara-se para ultrapassar os 100 milhões de euros, um volume que marca este mandato com um dos maiores investimentos de sempre. Este é um trabalho visível em todas as freguesias e que reflete bem a ambição que temos para o futuro de Santa Maria da Feira.
3 – Quais foram as suas prioridades ao assumir a liderança da autarquia e em que medida conseguiu avançar com elas neste primeiro ano de mandato?
Ao assumir a presidência da Câmara Municipal, defini como prioridades um conjunto de temas que dependem diretamente da Administração Central e que, há vários anos, aguardavam por decisões concretas. Destaco, em particular, o Túnel da Cruz e o novo Tribunal Judicial de Santa Maria da Feira, dois projetos estruturantes para o concelho.
Ambos registaram, ao longo deste último ano, avanços muito significativos. Estamos, neste momento, a desenvolver os processos para avançar com os projetos de execução, o que representa um passo decisivo para a sua concretização. Ou seja, conseguimos finalmente desbloquear dois processos que vinham sendo adiados há demasiado tempo, e que são fundamentais para a mobilidade, a segurança e a qualidade da resposta judicial no nosso território.
4 – Como vereador das obras municipais já tinha um papel central em projetos estruturantes. Quais destaca como mais marcantes neste último ano sob a sua gestão direta?
No último ano, temos vindo a concretizar um conjunto de projetos estruturantes com impacto direto na qualidade de vida da população. Destaco, desde logo, o investimento muito significativo que está a ser feito na área da saúde, com a abertura de três novas Unidades de Saúde Familiar – em Milheirós de Poiares, São Paio de Oleiros/Nogueira da Regedoura e Canedo. Neste momento, está em curso a construção da Unidade de Saúde de Romariz, encontra-se em fase de projeto a futura Unidade de Saúde de Fiães e está previsto um grande polo de saúde para a cidade de Santa Maria da Feira.
Paralelamente, estamos a iniciar a requalificação de várias unidades de saúde que nos foram transferidas no âmbito da descentralização de competências, e a avaliar a viabilidade de novas construções.
De grande relevância são também as requalificações dos centros urbanos das freguesias. A maioria destas intervenções encontra-se já em fase de concurso público, com obras físicas a iniciar-se em breve, trazendo um novo dinamismo a cada uma das nossas freguesias.
Não posso deixar de destacar também a Piscina Municipal de Canedo, já em pleno funcionamento, e a pista de atletismo de Sanfins que, a breve trecho, lançaremos para concurso público. Numa fase menos visível, mas igualmente determinantes, são os investimentos em habitação – com projetos em curso para habitação a custos controlados e no âmbito do programa 1.º Direito, assim como a ampla requalificação do nosso parque escolar, especialmente nas escolas EB 2/3. Neste domínio, será particularmente emblemática a construção do novo Centro Escolar de Santa Maria da Feira, cujo concurso público já lançamos. Uma obra que vai avançar.
Também na área da mobilidade, temos feito um esforço contínuo de requalificação da rede viária do concelho. Já conseguimos concretizar duas fases de repavimentações, a 10ª e 11ª, que abrangeram todas as 31 freguesias do concelho. Esse facto, por si só, demonstra bem a nossa vontade de assegurar um desenvolvimento equilibrado e coeso, que beneficie toda a população, independentemente da freguesia onde reside.
5 – Passado um ano como presidente, que avanços destaca no concelho de Santa Maria da Feira em áreas como a sustentabilidade ambiental, educação, saúde, inovação tecnológica e inclusão social, além das obras e serviços que impactam a qualidade de vida dos munícipes?
O concelho de Santa Maria da Feira vive, neste momento, um ciclo francamente positivo, resultado da resiliência e da capacidade empreendedora dos seus empresários, da dedicação dos seus trabalhadores, da vitalidade do comércio local, do dinamismo das instituições e da colaboração exemplar do vasto tecido associativo. A Câmara Municipal tem procurado estar à altura da população que serve.
É com satisfação que vejo que, em áreas tão distintas como a sustentabilidade ambiental, a educação, a saúde, a inovação tecnológica, o desenvolvimento económico e a inclusão social, o concelho continua a crescer. Santa Maria da Feira é hoje um concelho em crescimento demográfico, o que demonstra a sua atratividade e qualidade de vida. Estamos a construir novas escolas, a reforçar a rede de equipamentos de saúde, a criar respostas para os nossos idosos e crianças, e a investir em infraestruturas desportivas e de lazer.
Na área ambiental, merecem destaque as requalificações da ribeira do rio Uíma e do rio Cáster, bem como a criação de ciclovias e passadiços. No plano da valorização do território, a abertura do Porto Carvoeiro constitui uma nova âncora para o turismo e o desenvolvimento local. Paralelamente, estamos a investir na preservação do nosso património, com um programa dedicado à recuperação do património cultural e religioso, onde se incluem intervenções emblemáticas como as que estão previstas para o Castelo de Santa Maria da Feira.
No fundo, em todas as áreas que são fundamentais para uma boa governação municipal, temos investimento, obra e trabalho para mostrar, o que significa que Santa Maria da Feira é de facto um concelho em crescimento.
6 – A preservação do património histórico e cultural é um traço forte de Santa Maria da Feira. Que iniciativas ou projetos lançou neste último ano para reforçar essa identidade e como avalia os resultados até agora?
A preservação e valorização do património histórico, cultural e religioso é, de facto, uma das marcas distintivas de Santa Maria da Feira. Como já referi, neste último ano, lançámos um programa onde comparticipamos em 50% os custos associados à recuperação do nosso património histórico, cultural e religioso, numa lógica de trabalho conjunto com as entidades locais e de salvaguarda da nossa identidade coletiva.
Um dos projetos de maior relevo é a requalificação e preservação integral do Castelo de Santa Maria da Feira, um símbolo maior do nosso concelho. Estamos também a trabalhar com a paróquia de São Nicolau para recuperar a Igreja Matriz, e estamos, atualmente, a aguardar a devida autorização da Direção-Geral do Património Cultural para avançarmos com o Centro Interpretativo do Castro de Romariz.
Considero que, do ponto de vista patrimonial, o trabalho realizado tem sido muito relevante, com impactos visíveis na valorização do território e no reforço da nossa identidade.
Para além das obras físicas, temos continuado a investir em eventos e projetos que mantêm viva a memória histórica e cultural do concelho. A Viagem Medieval é um dos exemplos mais emblemáticos, pela sua dimensão, autenticidade e ligação à comunidade. A isso juntámos, recentemente, o programa Capital Concelhia da Cultura, pensado para aprofundar a coesão territorial e cultural entre todas as freguesias.
7 – A proximidade com os cidadãos é essencial numa liderança autárquica. Como tem procurado ouvir as freguesias e os munícipes desde que assumiu a presidência e que mudanças introduziu com base nesse diálogo?
Tenho procurado manter uma relação próxima e constante com o território. Acompanho de perto o dia a dia das freguesias, o pulsar das nossas empresas, do comércio local e das associações. Faço questão de visitar as empresas, estar presente nas atividades das instituições e acompanhar no terreno as obras que estão a ser realizadas nas diferentes freguesias. Isso permite-me ter uma perceção muito clara da realidade do concelho, ouvir as pessoas e perceber as suas preocupações.
Hoje em dia, as preocupações mais recorrentes da população prendem-se com a manutenção das infraestruturas públicas, desde a iluminação à qualidade das estradas. Mas há duas áreas que, por força deste contacto direto com a população, percebo que se tornaram absolutamente prioritárias: a necessidade de construir mais creches e construir mais lares.
Foi por isso que lançámos uma medida concreta de apoio à construção de creches e lares, comparticipando em 50% a parte não financiada por fundos públicos. Trata-se de um incentivo claro para que estas respostas avancem rapidamente. Porque, se há procura de creches, é sinal de que temos crianças e jovens a crescer no concelho, o que é muito positivo. E se sentimos a necessidade de mais lares, é porque valorizamos os nossos seniores e queremos garantir-lhes a sua qualidade de vida.
8 – O desenvolvimento económico é essencial para o crescimento de Santa Maria da Feira. Que medidas concretas implementou neste último ano para atrair investimento e apoiar as empresas locais e que resultados já são visíveis?
Santa Maria da Feira continua a afirmar-se como um território altamente atrativo para o investimento, tanto nacional como internacional. É público que grandes empresas têm escolhido o nosso concelho para investir, como é o caso da Forvia, com a construção do seu novo edifício, e, mais recentemente, a instalação da Lufthansa Technik, que representa um investimento estratégico de enorme relevância, para nós, para toda a região e o país. Considero que, também neste domínio, o mandato tem sido marcado por um sucesso assinalável.
Temos um programa de requalificação das nossas zonas industriais, criando melhores condições para as empresas que já cá estão e para acolher novos investimentos. Recuperamos a zona industrial do Casalinho, em Lourosa, estamos a concluir as obras na zona industrial de Mosteirô e já iniciámos intervenções na zona industrial de Escapães. Propusemos, e acreditamos que vamos conseguir concretizar, a ampliação de todas as nossas zonas industriais, sempre que seja tecnicamente possível. A procura continua a crescer. Recebemos diariamente investidores com perspetivas de investir no nosso concelho de Santa Maria da Feira. Isto significa mais emprego, e, cada vez mais, um emprego qualificado e com melhores salários. A complementar esta estratégia de atração de investimento e reforço da competitividade económica, destaca-se o “renascimento” do Europarque. Este equipamento voltou a ocupar um lugar de destaque no mundo empresarial português, sendo hoje palco de importantes encontros, fóruns de inovação, feiras e eventos de grande dimensão. O Europarque é, mais do que nunca, um centro de decisões e oportunidades, e tem-se afirmado como um espaço incontornável para a realização de negócios, contribuindo ativamente para a projeção nacional e internacional de Santa Maria da Feira.
9 – Olhando para o futuro, quais são os principais objetivos que pretende alcançar até ao final deste mandato?
O principal objetivo até ao final deste mandato é claro: cumprir com os compromissos que assumimos com os feirenses há quatro anos. A avaliação que temos vindo a fazer mostra-nos que a taxa de execução do nosso programa eleitoral é muitíssimo elevada, o que nos dá confiança para afirmar que, no final deste mandato, todas as grandes apostas estarão concretizadas ou numa fase muito avançada.
Acredito que estamos a viver um mandato positivo, não apenas pelo volume de investimento em obra física, que é realmente expressivo, mas também pelo trabalho desenvolvido em áreas muitas vezes menos visíveis, mas de enorme importância para a qualidade de vida da população. Refiro-me a projetos imateriais nas áreas da cultura, da educação, da ação social, da proteção e bem-estar animal, e do apoio aos nossos seniores.
O futuro passa por continuar este caminho de proximidade, de execução e de visão estratégica, garantindo que Santa Maria da Feira é, cada vez mais, um concelho coeso, moderno e com qualidade de vida para todos.
10 – Fazendo um balanço pessoal, o que aprendeu sobre si mesmo e sobre a liderança autárquica neste ano em que assumiu a presidência em circunstâncias inesperadas?
O que mais me marcou neste primeiro ano como presidente foi aprender a viver com o peso da responsabilidade de liderar um concelho com a dimensão e importância de Santa Maria da Feira. Um território que se afirmou como um dos mais prósperos do país e que é, claramente, um motor económico de Portugal. Essa consciência traz-me, todos os dias, a responsabilidade de não desiludir os feirenses.
A liderança autárquica é, acima de tudo, um exercício de persistência e resistência. Para cada problema, há quase sempre vários obstáculos a ultrapassar. E é precisamente essa capacidade de ir vencendo obstáculos, um a um, que permite dar respostas concretas às pessoas e melhorar a sua vida.
Naturalmente, cada presidente tem o seu estilo. Somos pessoas diferentes. Os feirenses já me conhecem e sabem que podem continuar a contar com a minha total dedicação, com trabalho sério, com empenho diário e com uma proximidade que tem marcado todo o meu percurso, desde que assumi responsabilidades autárquicas, em especial como vereador das Obras Municipais. Esta é a minha forma de estar e, naturalmente, vou mantê-la porque acredito que é assim que se constroi confiança.












