1. A Câmara Municipal pediu à assembleia municipal, nos termos legalmente consagrados do artº 25º, nº 1 da Lei 75/2013, de 12.9, a aprovação da aceitação da doação de ANTÓNIO STRECHT MONTEIRO AO MUNICIPIO de um espólio constituído por um imóvel sito na rua Dr. Elísio de Castro, no centro da cidade, avaliado em 1.278.777,97 €, bem como de recheio, valioso, do mesmo. Aprovação que os deputados municipais votaram favoravelmente por unanimidade na passada sessão ordinária de 26.06.2026 (Ponto 9 da ordem de trabalhos).
2. Estamos perante um acto de liberalidade, de manifesta vontade e intenção do doador, visando o enaltecimento, louvável, da figura do Dr. Alcides Strecht Monteiro, distinto republicano e lutador pela liberdade, pai do doador, que deixou ao filho e este quer agora transferir para a comunidade feirense, além do imóvel onde residiu e desenvolveu a sua actividade política, um manancial de objetos, móveis, utensílios, livros e documentos, ímpares, de elevado conteúdo histórico e de memória, que ficam bem à guarda da comunidade, ou seja, do Município de Sta Maria da Feira.
3. De enaltecer que esta doação tem como única e exclusiva contrapartida para o doador, ex vi artº 958º do CC, o usufruto vitalício do imóvel e do respetivo recheio, já avaliado tecnicamente e discriminado. Ficando a Câmara Municipal apenas com o encargo da conservação e da manutenção do imóvel e recheio além da garantia do acompanhamento na velhice do doador, já com 81 anos de idade.
4. Além do desprendimento pessoal, esta doação parece-nos ter o fito claro da projeção para o futuro da obra e da guarda dos objetos de carácter histórico que nortearam a vida política e profissional do ilustre Feirense e advogado Dr. Alcides Strecht Monteiro, figura já devidamente homenageada pelo município com um busto no edifício do tribunal da nossa cidade, próximo deste imóvel, e que pertence à memória coletiva de todos os feirenses e não apenas de algumas franjas ou sectores políticos.
5. Por isso, o doador MERECE O NOSSO RECONHECIMENTO E AGRADECIMENTO, pela sua vontade, atitude e disposição, pois crê-se na sua boa-fé e no seu feirismo (um neologismo que deve ser interpretado não no seu sentido da teoria da Conspiração do Feirismo e da paródia da criação, conhecida por Quarta-Feirismo, mas no sentido da abnegada defesa daquilo que é da Feira, que nos enaltece e nos corre nas veias como o sentido de orgulho por sermos feirenses). Esta doação também releva esta matriz.
6. Acresce que pela sua singularidade, esta doação afasta qualquer precedente para eventuais situações, mais ou menos, parecidas que possam aparecer no futuro. Ela é singular e justificada, com manifesto interesse público e relevância histórica, como foi reconhecido por todas as forças políticas com assento na nossa Câmara Municipal. Não encontra paralelo nos registos históricos. Apenas um caso paralelo se registou com a Doação de um vasto conjunto de bens, incluindo o edifício do museu e as coleções do próprio museu pelo Comendador Henrique Alves de Amorim, no ano de 1959 (05.março de 1959). Não foi uma doação ao Município, foi à Casa do Povo de Santa Maria de Lamas, mas constituiu um dos mais importantes atos de mecenato patrimonial do concelho, que agora se repete com a presente doação, embora com as suas devidas particularidades.
7. E que vem na senda de outras iniciativas, louváveis da nossa Câmara Municipal, não em sede de recebimento a título de liberalidade e doação, mas por aquisição material, como foram, mais recentemente, a Quinta da Cavacada (Quinta das Camélias), Fiães, adquirida pelo Município em abril de 2023 e o Museu do Papel, Paços de Brandão, em que o Município tornou-se proprietário e desenvolveu o museu através da recuperação de antigas fábricas de papel, dois importantes edifícios exemplificativos do aproveitamento coletivo, que poderão servir de inspiração para um futuro aproveitamento deste imóvel agora prometido doar.
8. Neste sentido, os feirenses e o município, cuja assembleia representativa votou unanimemente a aceitação desta doação, só podem regozijar-se com o gesto e registar formalmente um agradecimento ao doador.
Rui Giro
Deputado Municipal













