Diego Souza, de Santa Maria da Feira para o mundo

Natural de Salvador da Bahia, o jovem atacante Diego Souza seguiu o rasto do irmão, Matheus Souza — hoje a jogar no Luxemburgo —, para fazer do concelho de Santa Maria da Feira a sua casa e o seu trampolim para o futebol profissional. Com apenas 17 anos e uma média de um golo a cada 31 minutos na AD Sanjoanense, Diego revela ao Jornal N como se prepara para o assinar o seu primeiro contrato profissional, sempre com o apoio incondicional da família.

Diego, como foi o seu início no mundo do futebol?

Diego Souza: No Brasil, o meu percurso começou de uma forma muito comum: no futsal. Comecei na escolinha do Professor Dantas, em Salvador, na Bahia, que foi onde cresci. Foi ali que aprendi realmente a jogar futebol e a ter as bases técnicas necessárias. Depois dessa fase inicial, tive uma passagem pelo Galícia, uma equipa da região onde cresci muito como atleta. Posteriormente, joguei no Grande Vitória (Vitória da Bahia), um clube histórico que hoje está na primeira divisão brasileira. No entanto, no Brasil, só se podem inscrever jogadores a partir dos 14 anos, idade com que vim para Portugal.

O que motivou essa mudança para Portugal e, especificamente, para Santa Maria da Feira?

Diego Souza: O motivo principal foi o meu irmão, o Matheus Souza. Na altura, ele já estava a jogar aqui, no Lusitânia de Lourosa. Ele comprou um apartamento na região, ficou encantado com a cidade e com as pessoas e decidiu que toda a nossa família deveria vir morar para cá. Foi o Lusitânia de Lourosa que me abriu as portas para o futebol europeu. Tenho de agradecer muito ao Mister Pedro Rocha, que foi o meu treinador nos Sub-15, e também ao excelente trabalho do presidente Hugo Mendes e do coordenador da formação, o Ivo. O Lourosa é um clube que me diz muito e onde dei os meus primeiros passos em solo português. Mas foi um processo difícil. A transferência internacional é sempre complexa e acabei por ficar sete meses parado, à espera da inscrição. Foi uma luta do meu pai e da D. Rosa, da secretaria do Lourosa, que batalharam diariamente para conseguirem a minha documentação. Quando finalmente fui inscrito, a época já estava quase no fim; restavam apenas dois jogos. Mas entrei com tanta vontade que, nesses dois jogos, consegui marcar quatro golos e despertar o interesse de observadores do Boavista e do Benfica, que me acompanham desde essa altura.

Na altura fui para o Boavista com 15 anos. O Mister Ibrahima, que hoje é o treinador da equipa principal (na altura estava nos juniores), viu potencial em mim e chamou-me logo para jogar nos Sub-19. Foi um período de aprendizagem intensiva com ele e com o Mister Nelo. No final dessa época, recebi um convite do Leça para jogar na Segunda Divisão Nacional, mas o Leça fica em Matosinhos e a distância para São João de Ver, onde moramos, era muito grande, por isso decidimos apostar no S. João de Ver que foi fundamental. O Mister André Leal e o Henrique Paredes ajudaram-me imenso no meu crescimento. Foi o clube onde, até agora, marquei mais golos na minha carreira. Sou muito grato também aos irmãos Loureiro — o Rui e o Felipe — e ao presidente Carlos Coelho pelas portas que me abriram. Mais tarde, quando o Mister André Leal se mudou para a AD Sanjoanense, convidou-me para o seguir e é lá que estou agora, nos Sub-19.

Na Sanjoanense, apresenta uma média incrível de um golo a cada 31 minutos. Qual é o teu segredo para ser tão eficaz, mesmo com poucos minutos de jogo?

Diego Souza: o segredo é realmente a mentalidade para entrar e fazer o que tem de ser feito. Aqui em Portugal, tanto na formação como nos seniores, às vezes existem dificuldade das equipas trabalharem jogadores com as minhas características, não é tão comum. Mas, mesmo quando tenho poucos minutos, entro sempre motivado, feliz, grato pelas oportunidades e faço de tudo para cumprir o meu papel, que é fazer golos.

De que forma o seu irmão Matheus, agora a jogar no Luxemburgo, influencia as suas decisões e o seu futuro?

Diego Souza: O meu irmão é o meu espelho e a minha maior motivação. Nunca senti pressão por seguir os passos dele, apenas orgulho. Ele ajuda-me em tudo, desde os treinos até ao comportamento fora de campo. Foi ele que também abriu portas para o interesse internacional. Já fui treinar com a equipa sénior do Una Strassen, onde ele joga no Luxemburgo.

Em julho de 2026 completa 18 anos. Qual é a sua grande meta para esse momento?

Diego Souza: A minha meta absoluta é assinar o meu primeiro contrato profissional. Quero fazer o meu primeiro ano como sénior com foco total na evolução de todos os meus pontos, físicos e técnicos. Já tive a experiência de treinar com seniores na Sanjoanense e no Luxemburgo, Ajudou bastante jogar em escalões acima da tua idade, porque desde novo sempre tive um físico diferente, um porte físico melhor, então isso ajudou-me a subir escalões e ajudou muito no meu crescimento.

Com a ligação a Portugal, gostaria de uma carreira no futebol português ou prefere uma aposta mais internacional?

Diego Souza: Uso o interesse de grandes equipas apenas como motivação para treinar mais, sempre com os pés no chão. Amo Portugal e esta região, por isso ambiciono chegar ao topo do futebol português. No entanto, também tenho o sonho de atingir o topo do futebol europeu. O meu objetivo é ser um grande jogador e passar por grandes equipas, fazendo o que mais gosto.

Que conselho deixa aos jovens da Feira que sonham uma carreira no futebol?

Diego Souza: Diria que precisam de ter coragem e, acima de tudo, uma mentalidade profissional desde cedo. O “fora de campo” é o que realmente faz a diferença para um atleta de alto rendimento: alimentar-se bem, dormir bem e investir em treinos extra. Ter uma rotina regrada e diferente dos outros é o que te faz destacar. Dentro de campo, é preciso ter personalidade e coragem para fazer o que se gosta.

Santa Maria da Feira é agora a sua casa.

Diego Souza: Sinto-me completamente em casa. A minha adaptação foi fácil porque a minha família veio toda comigo. Mas também fui muito bem acolhido na Escola Coelho e Castro, onde sempre estudei e gosto muito de morar cá.

 

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