Praia de São Pedro de Maceda — uma praia seminatural, um perímetro florestal sensível e um problema público que exige atenção

A Praia de São Pedro de Maceda não é apenas uma pequena praia local. É uma praia com forte valor natural, paisagístico e afetivo para a freguesia de Maceda e para o concelho de Ovar. Está integrada num território marcado pela ligação entre mar, pinhal e sistemas dunares, e surge no Regulamento de Ambiente do Município de Ovar como Praia Seminatural conforme o Programa da Orla Costeira Ovar-Marinha Grande.

A sua envolvente também não é um espaço indiferenciado. Integra a realidade do Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, que abrange várias freguesias do concelho, incluindo Maceda, estamos, portanto, perante uma zona onde a fruição balnear, a proteção costeira, a gestão florestal, a segurança, o estacionamento e a prevenção de riscos ambientais não podem ser tratados separadamente.

Durante o último inverno, a Praia de São Pedro de Maceda foi mais uma vez fortemente atingida pelo avanço do mar e pelos efeitos das tempestades, tendo estado presente em notícias e preocupações públicas sobre a erosão costeira no litoral vareiro. Reconheço que a força da natureza criou dificuldades reais e que nem tudo poderia estar resolvido antes da época balnear. Mas é precisamente por isso que se impunha mais planeamento, mais comunicação pública e mais articulação entre entidades.

O problema que agora se coloca não é apenas o avanço do mar. É também aquilo que, em terra, continua sem resposta adequada.

Com a reabertura do apoio de praia, conhecido como Blue Bar by Maceda, aumentou a pressão sobre a praia e a sua envolvente. Porém, não é visível uma solução estrutural, ordenada e ambientalmente compatível para estacionamento. Na prática, a frequência da praia continua a empurrar viaturas para bermas da estrada florestal, caminhos do pinhal e zonas do perímetro florestal envolvente, criando riscos de circulação, de socorro, de combate a incêndios, de degradação ambiental e de normalização do estacionamento selvagem.

A questão é simples: pode uma praia oficialmente promovida, com apoio de praia, vigilância, época balnear e enquadramento municipal, funcionar com um modelo de fruição assente no improviso?

Esta carta aberta procura, por isso, colocar perguntas concretas à Câmara Municipal de Ovar, à Junta de Freguesia de Maceda, à Agência Portuguesa do Ambiente, ao ICNF, à GNR/SEPNA, à Polícia Marítima/Capitania, à Proteção Civil, aos Bombeiros, às forças políticas e à sociedade civil. Não está em causa atacar a praia, nem o apoio de praia, nem quem a frequenta. Está em causa defender a Praia de São Pedro de Maceda como aquilo que ela é: uma praia seminatural, um espaço público sensível, um património afetivo dos macedenses e uma zona costeira que exige ordenamento, responsabilidade e futuro. A carta aberta que segue pretende contribuir para esse debate público, pedindo respostas sobre:

• a ausência de estacionamento estruturado;
• a utilização das bermas e caminhos florestais como estacionamento informal;
• a proteção do perímetro florestal envolvente;
• a segurança de acesso de ambulâncias, bombeiros e meios de socorro;
• a relocalização do apoio de praia;
• a comunicação pública após os danos provocados pelo inverno;
• a articulação entre entidades públicas;
• a Praia de São Pedro de Maceda merece mais do que visitas institucionais e fotografias de inauguração. Merece planeamento, fiscalização, transparência e respeito pela sua memória natural e comunitária.

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