Esmoriz celebra 33 anos de cidade e reclama mais investimento para responder aos desafios do presente

Sessão solene assinalou também os 36 anos da geminação com Draveil e homenageou atletas, clubes, associações e personalidades que continuam a projetar o nome de Esmoriz.

Esmoriz assinalou o 33.º aniversário da sua elevação a cidade numa sessão solene marcada pelo orgulho na história local, pelo reconhecimento do mérito de instituições e personalidades da terra e por uma mensagem muito clara: a cidade cresceu, afirmou-se, ganhou dimensão e identidade, mas continua a precisar de mais investimento, mais atenção pública e respostas concretas aos problemas que afetam a qualidade de vida da população.

A cerimónia juntou representantes autárquicos, membros da Assembleia de Freguesia, elementos da Junta de Freguesia, representantes do Município de Ovar, entidades civis, religiosas, associativas, culturais, desportivas e sociais, bem como convidados ligados à geminação com Draveil, em França. Foi uma sessão de celebração, mas também de reflexão sobre o caminho percorrido e sobre aquilo que ainda falta fazer.

Ao longo das intervenções, foi recordado que a elevação de Esmoriz a cidade não representou apenas uma alteração administrativa. Foi o reconhecimento de uma comunidade com identidade própria, com força económica, social, cultural e humana. Uma terra que soube crescer, modernizar-se e afirmar-se no concelho e na região, sem perder a ligação às suas origens.

Esmoriz foi apresentada como uma cidade profundamente marcada pela natureza e pelo mar. A praia, a Barrinha, os passadiços, o parque ambiental, os ecossistemas locais e a riqueza paisagística foram referidos como património que importa preservar, proteger e valorizar. São marcas distintivas de uma cidade que tem no ambiente, no turismo e na qualidade de vida alguns dos seus maiores ativos.

Mas, na sessão solene, a maior riqueza de Esmoriz foi identificada nas pessoas. Nos esmorizenses que diariamente constroem a vida da cidade. Nos dirigentes associativos, nos voluntários, nos atletas, nos treinadores, nos comerciantes, nos empresários, nos professores, nas instituições sociais, nas forças de segurança, nas coletividades e em todos os que fazem da cidade uma comunidade viva e participativa.

O movimento associativo mereceu destaque especial. Foi sublinhado o papel das associações culturais, recreativas, desportivas, sociais e humanitárias na preservação da identidade esmorizense. São estas estruturas que promovem cultura, mantêm tradições, formam jovens, apoiam famílias, criam oportunidades e reforçam os laços de proximidade entre gerações.

Foi também referido que o associativismo é uma verdadeira escola de cidadania. Uma escola feita de voluntariado, dedicação, espírito de missão e trabalho muitas vezes silencioso. Sem esse tecido associativo, foi reconhecido, Esmoriz seria uma cidade menos participativa, menos solidária e menos próxima.

A sessão teve, contudo, uma dimensão que ultrapassou a celebração. Houve também um apelo claro à responsabilidade institucional. Foi lembrado que uma cidade não se constrói apenas com discursos ou comemorações. Constrói-se todos os dias, com trabalho sério, planeamento, diálogo, decisões concretas e capacidade de colocar o interesse coletivo acima de qualquer outro.

Nesse sentido, foram apontados vários desafios que continuam a marcar o presente de Esmoriz. A mobilidade, a requalificação dos espaços públicos, a segurança, o saneamento, as questões coletivas, a sustentabilidade ambiental, a valorização da frente urbana e a necessidade de mais investimento público foram alguns dos temas destacados.

Foi defendido que Esmoriz deve ser tratada como aquilo que é: uma cidade com dimensão, identidade, potencial e necessidades próprias. Uma cidade com uma população significativa, com forte pressão sazonal na época balnear e com problemas específicos que exigem respostas estruturadas.

A localização de Esmoriz foi também apresentada como um fator de oportunidade, mas igualmente como uma fonte de dificuldades. A cidade é atravessada por importantes infraestruturas de comunicação, como a A29, a A1 e a Linha do Norte. Estas vias reforçam a centralidade do território, mas também criam barreiras físicas, ambientais e urbanas que dividem a cidade e condicionam a vida das populações.

Por isso, foi defendida a necessidade de exigir medidas de mitigação acústica e ambiental junto das entidades competentes, protegendo a saúde e o bem-estar das populações afetadas. Foi igualmente sublinhada a importância de criar ligações urbanas mais seguras, acessíveis e sustentáveis, capazes de unir melhor o território e evitar que as grandes infraestruturas continuem a separar zonas da cidade.

A sessão deixou também uma mensagem sobre o futuro económico de Esmoriz. A sua localização estratégica, a proximidade a eixos rodoviários e ferroviários e o potencial turístico e ambiental devem ser aproveitados de forma equilibrada, atraindo investimento, empresas, indústrias limpas, tecnologia e turismo qualificado, sem comprometer a identidade natural da cidade.

Outro dos momentos centrais da cerimónia foi a evocação dos 36 anos da geminação com Draveil, em França. Esta ligação histórica foi apresentada como um exemplo de cooperação, amizade e aproximação entre comunidades. Mais do que um protocolo institucional, a geminação foi descrita como uma ponte entre pessoas, famílias, associações e culturas.

Foi recordado que, ao longo de mais de três décadas, Esmoriz e Draveil mantiveram uma relação construída sobre a partilha, o intercâmbio cultural e a proximidade entre comunidades. Mas a mensagem deixada foi também de renovação. A geminação não deve ficar presa ao passado nem limitada a momentos formais. Deve ganhar nova vida através de projetos concretos.

Entre as áreas apontadas para reforçar essa cooperação estiveram a juventude, a cultura, o desporto, a cidadania, o ambiente, o voluntariado e o associativismo. Foi defendido que as novas gerações devem ser chamadas a participar nesta relação, criando intercâmbios, encontros, programas comuns e iniciativas capazes de aproximar ainda mais as duas cidades.

A presença de representantes de Draveil deu maior simbolismo à cerimónia. A comitiva francesa deixou palavras de apreço pela forma como foi recebida e manifestou vontade de continuar a fortalecer a relação entre as duas comunidades.

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