Hugo Fernandes: “Algo me move”

Chama-se Hugo Fernandes e vai interpretar pela segunda vez o papel de Jesus Cristo nas encenações que integram a Semana Santa de Santa Maria da Feira. Tal como no ano anterior, está em pleno processo de preparação física e mental. Perfeccionista, quer dar ainda mais aos muitos que assistem às suas representações. Amante do Teatro, vê nesta representação a oportunidade de reflectir sobre aquilo que é mais importante e acredita que o esforço a que se submete deriva de uma motivação maior. Na primeira pessoa, o homem que, mesmo com pavor das alturas, se submete, despido, às temperaturas de Março no alto de uma cruz.

Como reagiu ao convite para interpretar Jesus Cristo?

Com grande surpresa. Curiosamente, era minha intenção descartar-me do papel de Caifás que interpretei durante 10 anos. É verdade que tento sempre dar um cunho diferente ano após ano. Em casa dizem-me que sou um insatisfeito na área da representação. Para mim era praticamente inconcebível vestir o papel de Jesus Cristo.

Porquê?

Primeiro, porque acho que o papel de Jesus Cristo, que era interpretado pelo amigo Rui Costa, estava bem entregue. Depois, pelo desafio. É tão difícil conseguirmos representar um ser humano que era o equilíbrio, um líder que transmitia paz e segurança. Interpretá-lo seria o expoente máximo da representação e dar-me-ia muito trabalho e, naquela altura, eu queria, precisamente, reduzir a carga de trabalho na representação porque profissionalmente já tenho um desgaste considerável. Quando transmiti esse desejo ao Grupo Gólgota, a resposta foi o convite para interpretar Jesus Cristo. Tocaram-me numa parte frágil que é a paixão que eu tenho pela representação. Fiquei incrédulo e pedi ao Filipe Dias, director da equipa de Teatro do Gólgota, para me dar tempo para pensar. Não fechei completamente a porta e encarei o convite como um desafio. Muitas coisas mudaram. O processo que estou a repetir é exigente a nível físico, mas sobretudo mental. É um tempo de reflexão mais aprofundado. É bom e faz-me bem.

 

Leia a entrevista completa na nossa edição impressa. 

 

 

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