O momento mais marcante da sessão surgiu com as intervenções dos moradores e vizinhos do bairro da Ponte de Anta, que denunciaram o estado de degradação dos edifícios, os problemas de segurança e as más condições de habitabilidade.
José Bragança, morador do bairro, descreveu o estado das fachadas, varandas, colunas estruturais dos prédios como “deplorável”, alertando para ferros à vista, risco de queda de elementos das varandas e perigo para quem vive ou circula no local. Denunciou ainda caixas de gás natural sem portas, estruturas partidas, tubos expostos, jardins sem manutenção, estradas com buracos, falta de policiamento e passeios por marcar.
Bruno Ribeiro, também morador, afirmou viver nos prédios há 41 anos e disse nunca ter assistido a obras de reabilitação significativas. Falou em fachadas degradadas, pedras a cair para a via pública, passeios irregulares, caixas de gás em avançado estado de degradação e problemas graves no interior das habitações, incluindo infiltrações constantes, humidade extrema, tetos negros e entrada de água dentro de casa.
O morador deixou perguntas diretas ao executivo: quem as sume a responsabilidade pelas condições mínimas de segurança e habitabilidade, qual o compromisso concreto da Câmara e qual o prazo previsto para o início da intervenção.
Rosa Costa, residente há 48 anos no bairro e proprietária de habitação há 35, reforçou as mesmas preocupações. Relatou que nunca viu obras estruturais nos prédios e afirmou ter chamado a comunicação social para denunciar o estado de degradação, nomeadamente num bloco onde um pilar se encontra a desfazer. Falou ainda de infiltrações em casa, da queda de pedras das varandas e da insegurança diária de quem sobe escadas ou circula junto aos edifícios.
Raquel Freitas informou a Assembleia de que tinha sido entregue ao presidente da Câmara, através do seu assessor, uma petição com mais de 480 assinaturas de moradores e vizinhos do bairro da Ponte de Anta. A petição exige a realização urgente de obras no conjunto habitacional.
A interveniente não falou apenas em nome dos moradores, mas também dos vizinhos, apontando preocupações de saúde pública, salubridade e segurança. Referiu a presença de ratos, o estado de destruição das caixas de gás e válvulas de segurança, em especial junto aos blocos I e J, e alertou para o risco acrescido pela proximidade a um posto de abastecimento de combustíveis. Questionou ainda o estado de abandono do antigo escola primária situada na nascente do bairro, defendendo que aquele espaço deve ter uma finalidade municipal estruturante e integrada na comunidade.”












